Competição sexual é moda entre adolescentes na internet

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Uma brincadeira perigosa tem virado mania entre adolescentes: o sexting. Esse é um fenômeno recente no qual adolescentes e jovens usam seus celulares, câmeras fotográficas, contas de e-mail, salas de bate-papo, comunicadores instantâneos e sites de relacionamento para produzir e enviar fotos sensuais de seu corpo. Envolve também mensagens de texto eróticas – no celular ou pela internet – com convites e insinuações sexuais para namorado ou amigos.

A definação é da Cartilha SaferDic@s lançada recentemente pela organização não governamental SaferNet Brasil. Em algumas escolas de Belém (PA), jovens decidiram fazer filmes de conteúdo social e disponibilizar na internet. A pratica do sexting virou competição entre as escolas para saber qual era o conteúdo mais acessado.

A professora Rosana Leris, de uma escola pública da capital paraense, afirma que o exibicionismo provocou a competição. “Os alunos mostravam sempre um filme de escola diferente e diziam que iriam fazer um melhor. Quando perguntei qual o interesse disso eles responderam que era para se exibir, aparecer”.

O exibicionismo na internet é perigoso e pode até mesmo virar crime, segundo o psicólogo da SaferNet, Rodrigo Nejim. “Ao pé da letra, o sexting poderia ser considerado como aquela imagem de pornografia. É um desafio para as autoridades porque, ao se tratar de uma imagem produzida pelo próprio adolescente, ele se torna ao mesmo tempo vítima e agressor. Quem é o culpado se o próprio adolescente é também a vítima?”, questiona.

Nejim chama a atenção para o fato de que o adolescente não sabe que sua imagem pode ser utilizada como material por redes criminosas de pornografia infantil, o que pode expor os jovens a situações constrangedoras e perigosas, como a exploração sexual.

A diretora de uma escola em Belém, que não quis ter o nome publicado, disse que com a exibição de um vídeo na internet, em uma competição de sexting, enfrentou problemas com a rejeição de alunos que usavam o uniforme da escola. “Os alunos da escola, quando estavam no trajeto para casa, eram alvo de brincadeiras e provocações, às vezes no próprio ônibus”.

A diretora afirma que até dezembro do ano passado os estudantes foram liberados do uso de uniforme para evitar esse tipo de constrangimento. Segundo ela, foi preciso realizar um trabalho sério com pais, alunos e professores para reverter a situação.

Para Nejin, da SaferNet, a escola está no caminho certo, uma vez que informação e conscientização são armas importantes para evitar não só o arrependimento, mas também que as fotos e vídeos caiam em mãos erradas.

Combate
Uma pesquisa feita pela SaferNet Brasil em escolas públicas e particulares revela que os alunos passam em média quatro horas por dia conectados à internet – 80% em sites de relacionamentos e 72% em programas de comunicação instântanea. Quatro em cada dez alunos pesquisados disseram que já se comunicaram com alguém que conheceram pela rede.

Para a gerente de projetos sociais da organização não governamental (ONG) Terra dos Homens, Valéria Brahim, o resultado mostra que as famílias e as escolas não estão preparadas para lidar com esse comportamento virtual.

“Nós estamos falando de duas gerações, uma que nasce ligando o computador e se envolvendo na rede virtual e outra que precisa se apropriar dessa ferramenta”. Para ela, o fato provoca um hiato. “A gente precisa mostrar aos educadores o quanto a internet é uma ferramenta de pesquisa, mas também de crimes”, acrescenta.

Valéria Brahim defende que as escolas recebam formação e desenvolvam, junto com a família, um trabalho de conscientização de crianças e adolescentes sobre o perigo da internet.

Recentemente foi realizada uma oficina em Belém (PA), promovida pela SaferNet em parceria com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, mas, segundo o procurador Ubiratan Cazetta, não existe uma política pública correta ou minimamente direcionada ao tema na questão da educação.

“Não temos hoje uma visão clara de qual o papel do educador na escola pública com relação às crianças que estão usando esse meio e também percebemos uma ausência de qualificação do professor para tratar o assunto. A internet é uma realidade crescente nos alunos e parece que a escola não considera relevante. É preciso ensinar as crianças sobre os riscos”, disse o procurador.

Uma prova de que esse tipo de trabalho tem resultados positivos está na Escola Pio XII , em São Paulo. A partir da capacitação, foi inserida na grade de horário uma matéria que orienta sobre o uso da internet de forma segura. A professora da disciplina, Isabel Costa, descobriu, por meio das aulas, que os estudantes ficaram surpresos ao saber que a escola era, na realidade, uma aliada.

“Nossa, agora a gente pode falar?”, espantaram-se os alunos. A educadora explicou a eles que não só podiam como deviam falar sobre esse assunto, além de mostrar aos pais as imagens acessadas. Para a diretora do Pio XII, Fátima Trindade, “é preciso que a família saiba o que está acontecendo, os riscos. A parceria da escola com a família pode conseguir que essa juventude faça um bom uso da rede”.

Em casa, entre quatro paredes, o risco é bem maior. “O homem tinha 43 anos e eu não quis falar com ele, mas ele ficou insistindo e enviando imagens de partes íntimas”, conta a adolescente Maria (nome fictício). Apesar de ser uma jovem de 16 anos, ela diz que nunca foi orientada a navegar pela internet.

Um outro levantamento, também da SaferNet, mostra que 63% dos pais não colocam limites para os filhos navegarem na rede. Oito entre dez adolescentes pesquisados têm pelo menos um amigo que conheceu virtualmente, mas 36 % dos pais não sabem disso e acreditam que os filhos não fazem amizade na internet.

O excesso de liberdade das crianças e adolescentes no uso da internet em casa pode ser muito mais perigoso. A opinião é da delegada de Crimes Cibernéticos do Rio de Janeiro, Helen Sardemberg. “Uma criança na internet às 14h é muito mais perigoso do que outra na rua às três da madrugada. Na internet a criança está sozinha com o seu aliciador”.

Os especialistas dizem que o segredo para que as crianças e os adolescentes usem a internet de forma segura não é proibir, mas mostrar os perigos e como se defender deles. Fabíola Messias é mãe do pré-adolescente André e aposta no diálogo. “Eu tento ter uma abertura bem grande com ele, porque hoje em dia essa geração não pode estar fora das redes sociais, mas é claro, com bastante cuidado”. Ela diz que impôs um horário para o acesso a internet.

Alguns pais pensam que, por não entenderem de tecnologia, não são capazes de proteger os filhos dos perigos da rede. O diretor de Comunicação da Google Brasil, Felix Ximenes, sugere que os pais usem ferramentas para bloquear acesso a conteúdos impróprios. Segundo ele, o que funciona mesmo é a boa e velha e educação.

“Meus pais me diziam para não conversar com estranhos e isso vale para os dias de hoje”. Ele tem algumas dicas: “Não deixe o computador no quarto, mas na sala. Acompanhe o que seu filho faz online. Determine horas de acesso, enfim, converse com os filhos e esteja próximo deles quando estiverem na internet”.

(fonte)

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Bienal do Livro

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Linux difícil de usar: mito ou verdade?

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Por Katherine Noyes, da PC World/EUA
Publicada em 04 de agosto de 2010 às 08h00
Atualizada em 04 de agosto de 2010 às 11h48

Difícil, complicado e incompatível são algumas das acusações que pesam contra o sistema livre.

Não causa surpresa que, na comparação com outros sistemas operacionais, o Linux[bb] seja visto como difícil de usar – uma concepção que é rotineiramente explorada pela concorrência, interessada em espantar potenciais novos usuários do sistema.

Quer um exemplo? Numa página publicada recentemente no site inglês da Dell – e que foi retirada em seguida -, a fabricante de PCs sugeriu que o sistema Ubuntu Linux é indicado principalmente para usuários “interessados em programação de código aberto”, que não se importam em “aprender a usar novos programas para e-mail, processamento de texto etc”.

Para o restante – ou seja, quase todo mundo -, a Dell recomenda Windows. Que mais ela poderia fazer para desencorajar a maioria, com exceção dos mais determinados?

Por outro lado, tornou-se claro nas últimas semanas que a Dell está sofrendo de algum tipo de conflito interno quando se trata de Windows. Esta página, afinal, ainda está no site.

Independentemente disso, está na hora de acabar de uma vez por todas com essa noção de que Linux é muito difícil.

1: “Não é Windows”
Quando norte-americanos e brasileiros aprendem a dirigir um carro, trafegam pela mão direita da rua. Já quem vive no Reino Unido e no Japão aprende a trafegar pela esquerda. Nenhuma opção é “mais difícil” por si – elas são apenas diferentes. Mas, uma vez que tenha se acostumado a uma das formas, pode ser estranho aderir à outra, pelo menos no começo.

Assim é com os sistemas operacionais de PC. O desktop Linux é simples, elegante e lógico, mas funciona de forma diferente com Mac e Windows.

No Linux, a interface gráfica é opcional, por exemplo. O ambiente do desktop pode ser completamente personalizado, e os gerenciadores de pacotes permitem que você instale software em apenas alguns cliques – não é preciso navegar na web nem caçar números de série.

E, claro, há o fato de que muitos dos programas para Linux são gratuitos, e que você não precisa nem mesmo de um software antivírus.

Para aqueles cuja formação em computadores ocorreu com Macs ou Windows, o Linux pode parecer um tanto estranho no começo. Afinal, a maior parte das pessoas ainda usa uma dessas duas plataformas, como mostra dados recentes da Net Applications. Mas, uma vez que você comece a ver os benefícios do Linux, essa sensação passará logo.

2::“Uma enorme curva de aprendizado”
O Linux permite que você faça tudo que quiser em seu computador, sem exigir recursos enormes, software caro, ou vigilância perpétua contra malware. Em vez de colocar em seu caminho uma interface que restringe o que você pode e como você pode fazer, o Linux simplesmente sai da sua frente.

Boa parte do software para Linux também parecerá extremamente familiar para a maioria dos usuários, especialmente aqueles de produtividade básica de escritório. A suíte OpenOffice (BrOffice[bb], no Brasil), por exemplo, funciona tal como no Windows, e é muito parecida com o Microsoft Office. O melhor é que é compatível com o Office, podendo inclusive abrir seus arquivos.

Para navegar na web, o Firefox[bb] exige adaptação praticamente zero se você já o usava antes.

Com Linux e os aplicativos que vêm com ele, você pode fazer praticamente tudo que faria num Windows ou no Mac OS – com certeza de forma mais barata, e algumas vezes até mais facilmente.

3::“Comandos complicados”
“Mas você não tem de conhecer todos os tipos de comandos complicados para usar o Linux?” – eis uma preocupação que ouço algumas vezes.

A resposta: definitivamente, não. Para uso típico diário, não há nada absolutamente espinhoso ou técnico que você precise aprender.

À medida que se torne mais familiar com a distribuição Linux que escolher, você poderá querer começar a aprender como usar o Shell Unix/Linux, mas de forma alguma isso será necessário, especialmente para propósitos comuns de produtividade de escritório.

Configurar um servidor Linux, claro, é outra coisa – tanto quanto um servidor Windows. Mas, para uso típico no desktop, se você já aprendeu um sistema operacional, o Linux não deverá ser difícil.

4::“Questões de compatibilidade”
Finalmente, a compatibilidade de hardware e software é outra questão frequentemente lembrada e que faz com que usuários potenciais temam que o Linux seja muito difícil para torná-los produtivos.

É verdade que há algumas instâncias remanescentes de pacotes de software e equipamentos de hardware que o Linux não pode suportar porque os desenvolvedores dessas ferramentas escolheram manter os codecs, softwares ou drivers necessários fechados e proprietários.

Isso, no entanto, está se tornando cada vez menos comum – e geralmente há uma alternativa que funcionará muito bem. Há também pacotes como Wine e Crossover Linux para rodar software específico do Windows.

Incontáveis desenvolvedores voluntários estão lá fora nesse instante, trabalhando duro para tornar o Linux ainda mais fácil no futuro.

A realidade: um ROI campeão
Resumo da ópera? O Linux não é difícil – é apenas algo com o qual você não está acostumado, caso seja usuário de Mac ou Windows.

Mudanças podem ser difíceis, especialmente quando você investiu tempo aprendendo um jeito de fazer as coisas – e qualquer usuário Windows, quer ele perceba ou não, investiu muito do seu tempo neste sistema. Mas todo esse tempo será retribuído se você dedicar algum tempo para se acostumar ao Linux.

Para pequenas empresas, a economia de custos que resulta de usar Linux e outros softwares livres pode ser particularmente atraente. A ausência de taxas de licença de software pode resultar numa economia considerável de dinheiro, bem como na redução dos investimentos em hardware, já que PCs não precisarão ser atualizados com frequência.

Igualmente considerável é o efeito da confiabilidade do Linux, que minimiza tanto a manutenção quanto as interrupções imprevistas. Tudo somado, o Linux geralmente economiza de 400 a 500 dólares por desktop.

Meu conselho? Tente sair da caixa do Windows ou do Mac e mantenha a mente aberta – não espere que o Linux seja o Windows. Lembre-se também que você está investindo em software grátis por toda a vida com a flexibilidade de fazer o que quiser e como quiser, livre das ordens de qualquer grande empresa de software. Com que frequência você consegue um retorno de investimento assim?

(fonte)

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Estupro virtual: cada vez mais comum no Brasil e mundo

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Notícias de estupros virtuais são cada vez mais recorrentes. São crianças, jovens e mulheres chantageadas e obrigadas a mostrar o corpo e até atuarem em cenas típicas de filmes pornôs em frente a câmeras de computadores.

Esse tipo de crime vem sendo cada vez mais explorado por hackers e até por pessoas comuns. Um norte-americano foi preso e está sendo julgado por chantagear e extorquir mulheres, depois de invadir e encontrar informações e imagens pessoais no computador de suas vitimas. Já um hacker alemão invadiu centenas de computadores de meninas em idade escolar para espioná-las pelas próprias webcams. Alguns desses vídeos, no entanto, são filmados e caem na rede.

Segundo o detetive virtual Wanderson Castilho, a exposição da intimidade das pessoas na rede mundial de computadores gera efeitos psicológicos semelhantes ao estupro físico, com a diferença que o primeiro pode continuar se repetindo diariamente. “Todos os dias o vídeo pode reaparecer, é uma angústia”, diz.

Ele mesmo está atuando no caso de uma menina de 13 anos que, ao se ver chantageada por um amigo de um colega de sala, acabou por se despir em frente à câmera. Ela cedeu à pressão do garoto que a filmou bebendo e fumando em uma festa da escola e que passou a ameaçá-la, alegando que enviaria as imagens ao pai da adolescente. “Ela tem pais severos, que lhe causavam medo e não soube como reagir”, explica o detetive, que trabalha para levar esses casos à justiça.
Muitas vezes as pessoas se sentem culpadas por terem produzido alguma imagem depois usadas para extorsão e chantagem. Mas Castilho lembra que é crime divulgar imagens de pessoas sem prévia autorização.

A boa notícia é que cada vez mais casos de exposição de mulheres na rede, chantagem e extorsão estão sendo julgadas e os culpados condenados. Castilho teve a satisfação de ver uma de suas clientes – uma jornalista que teve algumas fotos em que aparece nua espalhadas em sites de prostituição pelo ex-namorado frustrado – ganhar a causa na justiça e ver seu algoz pagar a pena de dois anos de prisão.

“A punição das pessoas que cometem esse tipo de crime não anula os danos causados às vitimas, mas concede um momento de paz”, afirma Castilho.

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A melhor forma para evitar a pedofilia na internet

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Esta semana a Polícia Federal realizou uma operação que resultou na expedição de 81 mandatos de busca e apreensão e na prisão de 21 suspeitos de abuso sexual e de prática de pedofilia pela web, em nove Estados brasileiros.

A ação traz mais uma vez à tona diversos questionamentos sobre o comportamento dos pais, a conscientização das crianças e adolescentes e o uso cada vez mais intensivo (e cedo) da internet. “A internet é apenas um novo meio para a realização de ilegalidades e não pode ser demonizada. Além disso, ainda falta conscientização de pais para prevenir problemas” acredita Helen Sardenberg, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática do Rio de Janeiro (DRCI-RJ).

A especialista participou, ontem, do evento de lançamento de uma cartilha sobre uso responsável da internet para crianças – fruto da parceria entre a operadora GVT e o Comitê para Democratização da Informática (CDI) – em que o tema entrou na pauta de debates.

Durante a discussão, Helen lembrou que o usuário ainda está muito vulnerável porque não entendeu as regras básicas de uso da web. “Muitas vezes esse meio não é encarado como um espaço real. Está na hora de levarmos os cuidados do mundo real para a rede”, afirma.

Para o psicólogo e diretor de prevenção da Safernet Rodrigo Nejm, é preciso estimular a visão de que a internet é uma rede de pessoas e não de computadores. Para ele, essa concepção faz uma grande diferença porque alça a questão dos direitos humanos para o centro do debate.

Ele lembrou que os crimes contra crianças e adolescentes ocorrem cada vez mais pela internet – a Safernet recebeu mais de 1,7 mil denúncias de pornografia infantil apenas no mês de junho deste ano – mas o melhor instrumento de combate ainda é a educação. “Se uma criança de 7 anos não pode andar no centro da cidade sozinha, porque poderia trafegar na rede?”, questiona Nejm.

Tanto ele quanto o jornalista e apresentador de TV Marcelo Tas se mostraram absolutamente contra qualquer restrição de conteúdo na web. “Não podemos ter preconceito com o Orkut, Twitter e lan houses. O Orkut não é o PCC. As redes são apenas ferramentas. Não vamos resolver o problema do contrabando dinamitando a ponte da amizade”, disse Tas.

O apresentador, um dos famosos com maior número de seguidores na rede social Twitter, criticou a decisão de alguns vereadores e prefeitos de proibir a instalação de lan houses próximas a escolas: “Elas devem estar dentro da escola”, defendeu Tas. Para ele, é preciso ter políticas públicas para que as lan houses sejam espaços de educação e construção de cidadania.

Controle

Rodrigo Najm, da Safernet, criticou a opção de alguns pais de vigiarem tudo o que seus filhos fazem na internet. “Se você não coloca uma câmera na quadra de futebol, porque gravaria todas as conversas no MSN?”, questionou.

Para ele, medidas de controle são facilmente contornadas e não devem estar acima da conversa e orientação. “Alguns pais não querem a tarefa de educar seus filhos, querem que a tecnologia faça isso por eles. Não dá”, sentenciou Tas.

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Para especialista, internet não precisa de legislação própria

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Em todo o mundo se diz que a internet é uma terra sem lei. Algumas Leis, com letra maiúscula, já foram propostas para o Brasil, mas não foram para frente. A última, proposta pelo senador Eduardo Azeredo, foi apelidada de AI-5 digital, remetendo ao Ato Institucional número 5 da Ditadura Militar, sinônimo de censura. Para Demi Getschko, presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), que mantém o Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (Cert.br), é preciso muita cautela antes de criar alguma regulamentação para internet.

1- Na avaliação do Cert.br ainda falta regulamentação para a internet no Brasil?
Demi Getschko:
Achamos que é preciso muito cuidado na criação de legislação específica. O que acontece na internet são crimes já tipificados na legislação brasileira. Pouca coisa é nova, a internet é apenas um novo ambiente. Acredito que é possível aperfeiçoar em um caso ou outro, mas é pouca coisa.

2- O que é o marco civil para a internet? Ele não é uma tentativa de legislar?
Getschko:
O marco civil da internet é um passo anterior. Pretende definir direitos e deveres dos cidadãos e, feito isso, discutir se há necessidade de regulamentação adicional.
Entendemos a necessidade de defender a rede e quem trafega por ela. Por exemplo, dois anos atrás, a justiça mandou tirar o YouTube do ar. Mas se você tomar um trote por telefone, a companhia telefônica não será punida.
Obviamente, o YouTube deve garantir que as regras de uso estejam claras para todos os indivíduos. Algumas pessoas colocam vídeos e lamentam depois, mas aquele material foi publicado por vontade da pessoa. Usuário também deve saber o que fazer.
Além disso, os provedores devem deixar claro o que farão com os dados dos usuários, para a pessoa escolher livremente se quer fazer parte daquela rede.

3- O que o você entende como princípios para esse marco civil?
Getschko:
O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.Br) aprovou alguns princípios para a governança e uso da internet no Brasil para embasar e orientar suas ações e decisões. São eles: liberdade, privacidade e respeito aos direitos humanos; governança democrática e colaborativa; universalidade; diversidade; inovação; neutralidade da rede; funcionalidade, segurança e estabilidade; padronização e interoperabilidade; ambiente legal e regulatório.  Nosso documento está disponível para consulta pública.

4- Onde você acha que ainda falta debate?
Getschko:
Ainda precisamos conseguir chegar a um bom meio termo entre segurança e respeito à privacidade. Obviamente, seria mais seguro se todas as pessoas andassem com seus números de RG impressos na camiseta, mas isso violaria a privacidade dos cidadãos. Seria como tratar todos como bandidos. Na rede é a mesma coisa. A pergunta é: como melhora a segurança sem ferir liberdade e direitos?

5- Qual a sua resposta para essa pergunta?
Getschko:
Certamente há e haverá conteúdo inadequado para pessoas de faixas etárias diferentes e culturas diferentes. Acredito que o controle deve estar na mão do usuário final. Como? A internet deve ser completamente disforme e confusa, para inclusive permitir avanços, mas o usuário deve ter o poder de fazer o que bem entender em termos de filtragem.
Se uma pessoa não quer que seu filho acesse determinado conteúdo, deve ter esse direito garantido. A rede não se comporta ou comportará adequadamente para seu filho, mas você deve se comportar direito em relação ao seu filho. Pode fazer isso colocando um filtro de anteparo de visibilidade. O que digo é que os filtros devem estar nas bordas e não nas redes, no centro da internet.

6- Está em debate se os bancos devem pagar por eventuais problemas nas contas de seus correntistas. Qual sua opinião?
Getschko:
O banco tem algumas formas de se garantir. Se a despesa não é do correntista e não há má fé, o banco deve se responsabilizar. Ninguém quer problemas, nem o banco nem o usuário. Só não dá para descarregar no elo fraco.

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PF prende 20 por acusação de pedofilia na Internet em um único dia

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A notícia já tem uns dias, mas só consegui publicar hoje. Gosto de saber que cretinos como esses foram pegos. Ainda faltam muitos… Só lastimo não colocarem a fuça desses porcos nas matérias. A população toda deveria saber quem são os envolvidos com essa vileza. Quantos bons vizinhos, quantos amigos de confiança, quantas “tias” que cuidam de crianças dos vizinhos, quantos tios queridos não estão entre eles!

____

Vinte pessoas foram presas em flagrante pela Polícia Federal nesta terça-feira (27/7) em operação de combate à pedofilia na Internet – um recorde, segundo a polícia. Elas foram flagradas com material que continha pornografia infantil.

A ação faz parte da Operação Tapete Persa, que foi iniciada na manhã desta terça e cumpriu metade dos 81 mandados de busca e apreensão em 54 cidades e nove Estados do País.

Entre os presos estão quatro idosos e um coronel da Polícia Militar. Três pessoas foram indiciadas por não terem sido encontradas no local do crime. Caso sejam condenados, poderão cumprir penas de até 15 anos de prisão.

De acordo com o chefe do Grupo Especial de Combate aos Crimes de Ódio e à Pornografia Infantil na Internet da Polícia Federal, delegado Stênio Santos Souza, o material apreendido inclui diversas imagens em vídeo que mostravam abusos contra crianças.

Foram realizadas operações de busca e apreensão nos Estados de Alagoas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, bem como no Distrito Federal.

(fonte)

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Adolescentes filmam relações sexuais para competir na rede

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Ana Cláudia Barros

Vale tudo para conseguir notoriedade? Esta parece ser uma questão que tem povoado as mentes de muitos adolescentes. Em busca de popularidade, eles estão se submetendo a uma exposição sem limites e inconsequente na internet, ignorando os riscos que esse tipo de comportamento pode implicar.

De acordo com a organização não-governamental SaferNet Brasil, entidade que se dedica à defesa dos direitos humanos na rede, um novo e perigoso “jogo” vem ganhando adeptos entre meninos e meninas brasileiros. Diante de uma câmera, eles fazem sexo e exibem o conteúdo gravado no site de vídeos YouTube. O vencedor da disputa? Aquele que tiver mais “audiência”.

- Recebemos várias denúncias de concursos de vídeos no YouTube. Os adolescentes registram as relações sexuais entre eles, colocam no site e fazem uma competição para ver qual vídeo tem mais acessos, qual é o vídeo mais assistido. Tivemos casos de vídeos com 400 mil execuções – conta o presidente da SaferNet, Thiago Tavares.

Segundo ele, quem costuma se envolver no “jogo”, em geral, tem entre 13 e 16 anos. “Mas é possível encontrar vídeos com participantes de 12 anos. Na maioria das vezes, é o próprio adolescente que produz ou um coleguinha”, destaca.

O presidente da organização explica que a competição é apenas uma das manifestações do Sexting, fenômeno recente, iniciado nos Estados Unidos, “no qual adolescentes e jovens usam seus celulares, câmeras fotográficas, contas de email, salas de bate-papo, comunicadores instantâneos e sites de relacionamento para produzir e enviar fotos sensuais de seu corpo (nu ou seminu). Envolve também mensagens de texto eróticas (no celular ou Internet) com convites e insinuações sexuais para namorados, pretendentes ou amigos” ( Saiba mais ).

A denominação vem da junção das palavras em Inglês sex (sexo) + texting (envio de mensagens).

- Infelizmente, isso tem se tornado frequente entre adolescentes brasileiros – lamenta Tavares. Uma pesquisa realizada pela SaferNet no segundo semestre do ano passado, com estudantes, entre 5 e 18 anos, revelou que, num universo de 2345 entrevistados, 282 admitiram já ter publicado fotos pessoais íntimas na internet, enviado por e-mail ou postado em sites de relacionamento.

Destes, 91 fizeram isso mais de cinco vezes, conforme o levantamento. As amostras foram colhidas em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraíba, Maranhão e Pará. Neste último, foram descobertos, no início do ano, seis vídeos de sexo entre adolescentes. A existência do material, encaminhado à Polícia Civil de Belém, veio à tona, poucos meses após o surgimento de um vídeo semelhante, gravado em uma escola pública da capital.

Corpo como objeto

De acordo com a psicóloga e psicanalista Élide Camargo Signorelli, especialista em adolescência, esse comportamento de risco está ligado à necessidade que o jovem tem de competir, “o que passa a ser um fim em si”.

- O corpo, a relação sexual com sua intimidade ficam esvaziados de sentido para se reduzirem à coisa. O objetivo não é a relação, e sim, a competição, que poderia acontecer com qualquer outro objeto. No caso, o objeto é o corpo em relação sexual. O que preocupa, então, é essa perda do sentido do contato amoroso, ou mesmo, do simples contato físico, que mereceria lugar privado e teria de ficar restrito apenas ao casal em questão.

A psicóloga identifica uma contradição provocada por esse tipo de conduta:

- O corpo deixa de ser a representação da pessoa para virar coisa. Então, ao mesmo tempo em que eles buscam reconhecimento – e hoje, ser visto significa para muitos, ser reconhecido -, se o que se tem ali é apenas uma “coisa”, não há esse reconhecimento. É um paradoxo.

Élide destaca, ainda, que o desejo de se contrapor às regras é uma tendência própria dessa fase da vida.

- O adolescente já tem uma necessidade de arriscar, de afrontar a vida. Ele se sente onipotente. Desafia a vida e a morte como se pudesse triunfar sobre tudo isso. Na verdade, ele está se sentindo uma formiguinha, mas não pode se expor como uma formiguinha. Ele tem que parecer potente.

Papel dos pais

Segundo a psicóloga, o adolescente, geralmente, vive duas realidades, dentro e fora de casa.

- Eles querem ocupar o lugar de criança para a família e, ao mesmo tempo, ter um lugar “adulto”, um brincar de ser adulto, onde lá já estão beijando, transando. Muitas vezes, e bota muitas vezes nisso, a mãe, o pai não têm a menor ideia do que está acontecendo.

Na opinião de Élide, a participação efetiva dos pais na vida dos filhos é fundamental.

- Para começar, é preciso o mínimo de presença física. Fala-se muito que o importante é a qualidade, mas há um limite para isso. A qualidade também precisa da quantidade. Numa relação, qualquer que seja, quanto mais você encontra a pessoa, mais você tem elementos para conhecer e se fazer conhecer.

Na análise da especialista, atitudes extremas, como o sexting, podem sinalizar mais do que a falta de maturidade para lidar com as novas tecnologias.

Talvez isso (sexting) seja até uma compensação por uma ausência de visibilidade em casa. Se ele não se sente visível, vai procurar ser de alguma forma. Mas procura, em geral, da maneira caricatural. Não é uma visibilidade que vai trazer verdadeiramente o reconhecimento. Pelo contrário, o adolescente se expõe a uma violência, a uma violação. É uma armadilha, porque é aí que ele se desfigura de vez.

(Fonte)

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Compartilhar sua localização na rede pode ser muito perigoso

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As redes sociais são uma febre. Cada vez mais pessoas querem compartilhar tudo o que fazem, com quem fazem e onde fazem! O problema é que, ao fornecer uma série de informações, você pode se expor a sérios riscos. Segundo o consultor especializado em segurança de altos executivos e grandes empresas Nilton Migdal, cada vez mais planos de seqüestros se baseiam em informações de redes sociais. “Isso já não é mais coisa de novela. Conheço casos de pessoas seqüestradas com base em informações fornecidas no Facebook”, diz.

Esse perigo aumenta ainda mais quando as pessoas entram em redes sociais baseadas em localização, como o Foursquare, e também quando passam a atualizar seus posts em movimento, algo potencializado pelo crescimento da oferta de smartphones poderosos e acessíveis. “Essa coisa das pessoas divulgarem onde estão e para onde vão é o sonho de todo bandido”, afirma Migdal. Algumas vezes, porém, uma pessoa mal-intencionada pode descobrir informações de localização de forma indireta. Por meio de fotos, por exemplo.

Concluir que determinada residência está vazia não é difícil, quando uma família inteira aparece numa foto em férias em outro país. Descobrir a academia que um executivo ou uma mulher de negócios frequenta pode ser fácil se, depois da festa de confraternização, as pessoas postarem as fotos nas redes sociais que, para ajudar, fazem o reconhecimento facial automático.
Para evitar problemas, Migdal nos ajudou a criar uma série de recomendações importantes. Vamos a elas:

1- Não compartilhe sua localização na internet, ao menos que seja realmente necessário. Nenhuma rede é totalmente segura

2- Só aceite amigos em sua rede social. Sendo que amigos de amigos não são amigos. Pessoas com os mesmos interesses que você não são seus amigos necessariamente!

3- Não compartilhe fotos de seus filhos com uniformes e outras roupas que permitam identificação com determinadas instituições

4- Não poste fotos de você ou parente com o logo da empresa onde trabalham

5- Evite dar pistas de locais que frequenta, como academias

6- Cuidado com fotos de viagens. Devem ser restritas aos seus amigos porque além de chamar a atenção ao darem a impressão de que o viajante está com as finanças em dia, ainda  podem indicar que você não está em casa

7- Não adianta tomar determinados cuidados se seu marido, esposa, filho e amigos forem displicentes

Migdal admite que suas recomendações para redes sociais podem ser um pouco radicais, mas ele ganha a vida garantindo a segurança de pessoas-alvo. Para ele, a situação está ficando critica porque as pessoas estão abrindo espaço para muitos desconhecidos bisbilhotarem. “Eu devo ter uns 15 amigos de verdade. Tendo a desconfiar das pessoas que tem mais de 300 contatos em redes sociais. Provavelmente são conhecidos, gente com quem nunca realmente se relacionaram”, complementa.

(Fonte)

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Especialista: Violência sexual contra criança é subnotificada

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Ana Cláudia Barros

Os números do Disque 100, serviço da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que recebe, encaminha e monitora denúncias de violência contra crianças e adolescentes, não são modestos: de janeiro a junho deste ano, foram 13 mil casos relatados, 36% deles referentes a situações de violência sexual, como abuso e exploração.

Entretanto, eles estão longe de retratar a verdadeira dimensão do problema no país. Na avaliação da secretária executiva do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Karina Figueiredo, o tema ainda é cercado de tabus, fazendo com que, muitas vezes, esse tipo de agressão se transforme em um crime tácito.

- É difícil romper o muro do silêncio, romper as barreiras que envolvem a violência e, de fato, conseguir a proteção da criança e do adolescente. Falar sobre esse tipo de violência ainda é complicado para muitas famílias. Há muito tabu e medo.

Para tentar reduzir o abismo entre o que chega aos órgãos oficiais de denúncia e a realidade, o comitê, formado por organizações da sociedade civil e pelo governo, tem investido sistematicamente na discussão do assunto na sociedade.

- Há muito mais casos do que são denunciados. Por isso que, nos últimos dez anos, temos investido muito em campanhas, na sensibilização da sociedade para denunciar. Temos capacitado profissionais de educação e saúde. Por exemplo, o professor tem que ficar atento ao identificar um comportamento diferente na criança. É um desenho? É uma redação? Como o professor pode olhar e observar se aquilo não é um sinal de violência sexual?
Acreditamos que avançamos muito, mas temos que continuar trabalhando nesse sentido. Temos que continuar falando sobre isso, sensibilizando, discutindo nas comunidades, nas escolas. Discutindo com as famílias, com as próprias crianças e adolescentes.

Confira a entrevista

Na avaliação da senhora, a violência contra criança e adolescente, especialmente a sexual, ainda é um tipo violação tácita? Ainda são poucos os casos que acabam descortinados?
Se analisarmos os últimos dez anos, que foi quando implantamos o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil, é possível perceber que a violência sexual começou a ser mais discutida. Então, isso faz com que haja mais denúncias. Esse tipo de violência sempre existiu, porém, as pessoas têm denunciado mais.

O abusador, na maioria das vezes, é alguém próximo da vítima?
Ele é o pai, o padrasto, o tio. Alguém do ciclo familiar , de convivência da criança. Por isso é difícil contar. Muitas vezes, a mãe percebe, mas não quer contar, porque sabe que se denunciar, o agressor vai ser preso e ele sustenta a família.
Muitas vezes, ele vêm desse contexto cultural machista, que vê a mulher como objeto de dominação e a criança como alguém que não tem direito. É o que a gente chama de cultura “adultocêntrica”. Quem manda é o adulto e a criança só obedece, não tem desejo, não pode falar, se expressar e participar das relações familiares e comunitárias.
Temos outras questões que a gente coloca na própria estrutura da nossa sociedade, que é uma sociedade que gera desigualdade e pobreza. Em função disso, temos a questão do alcoolismo, da dependência de outras drogas.

Nos casos dos crimes sexuais, essa proximidade muito recorrente entre abusador e vítima dificulta uma radiografia mais exata do problema?
É difícil romper o muro do silêncio, romper as barreiras que envolvem a violência e, de fato, conseguir a proteção da criança e do adolescente. Falar sobre esse tipo de violência ainda é complicado para muitas famílias. Há muito tabu e medo.
O que percebemos é que há ainda uma dificuldade de falar por parte da criança que sofre a violência. Há dificuldade de quem convive identificar a violência. Ou identifica e fala: “Não é nada”. Há o professor que identifica, mas tem medo de contar e sofrer represália. Acreditamos que esses sejam os fatores que fazem com que muitas denúncias não cheguem aos canais oficiais.

A violência sexual contra crianças e adolescentes é um crime mais comum do que se pode imaginar?
Bem mais comum. Há muito mais casos do que são denunciados. Por isso que, nos últimos dez anos, temos investido muito em campanhas, na sensibilização da sociedade para denunciar. Temos capacitado profissionais de educação e saúde. Por exemplo, o professor tem que ficar atento ao identificar um comportamento diferente na criança. É um desenho? É uma redação? Como o professor pode olhar e observar se aquilo não é um sinal de violência sexual?
Acreditamos que avançamos muito, mas temos que continuar trabalhando nesse sentido. Temos que continuar falando sobre isso, sensibilizando, discutindo nas comunidades, nas escolas. Discutindo com as famílias, com as próprias crianças e adolescentes. Quando uma criança, de seis, sete anos, tem acesso a esse tipo de informação, ela sabe que se uma pessoa tocar no corpo dela, fizer alguma coisa com ela, ela sabe onde vai falar. Sabe que aquilo não pode ser feito. Sabe diferenciar o que é um toque de afeto e um toque de abuso.

De acordo dos dados do Dique 100, o tipo de denúncia mais recorrente é o de violência sexual. Por que esse tipo de violência lidera as estatísticas?
Vemos a violência sexual como a manifestação de vários fatores. Não é só o pedófilo que tem um transtorno de personalidade, que tem uma questão psicológica envolvida. Há a questão cultural também. Temos o machismo, o homem que ainda acha que a mulher é objeto de dominação dele, portanto, tem que servi-lo sexualmente. O pai que acha que a filha é obrigada a servi-lo. Isso ainda está muito arraigado na cultura.
Se a gente não fizer uma discussão séria para mudar essa questão…Temos trabalhado nos últimos quatro anos na afirmação do direito que a criança e o adolescente têm de desenvolver sua sexualidade de forma saudável, sem violência. São direitos humanos que devem ser respeitado.

A Região Nordeste é a que mais ofereceu denúncias ao Dique 100, nos primeiros meses deste ano. Foram mais de 5 mil casos. Ela é seguida pelas regiões Sudeste (4.288), Sul (1.554), Centro-Oeste (1.152) e, por último, pela região Norte (1.139). Na sua avaliação, a violência sexual ganha um contorno específico de acordo com cada região?
Não necessariamente. Acredito que houve mais denúncias no Nordeste, porque a região tem investido muito em campanhas, na divulgação do próprio Disque 100. Cidades que são referência de exploração sexual no turismo, como Salvador, Fortaleza, Recife, Natal têm apresentado campanhas fortes, trabalhado muito com o setor de turismo. Em função disso, o número de denúncias talvez tenha uma proporção maior do que em outras regiões.
Mas temos evidências que o Nordeste é uma região onde a exploração sexual no turismo ainda é muito recorrente, sobretudo no litoral. Fora do Brasil é divulgado isso: As mulheres do Nordeste, as meninas são “calientes”, estão disponíveis para servir aos homens a um preço barato. O turismo sexual acaba entrando no pacote de turismo.
O Ministério do Turismo tem se esforçado muito para trabalhar a sensibilização da rede que envolve o turismo, motéis, bares, restaurantes. Embora haja uma fiscalização maior, isso ainda é muito comum. Se você andar pelas praias de Recife, Natal, Fortaleza, Salvador, vai encontrar o turista branco, europeu, com a menina brasileira. É o dono da barraca na praia que agencia. É o taxista, o dono do restaurante, o funcionário do hotel.

Na sua análise, quais foram os principais avanços conquistados nos últimos dez anos em relação ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes?
O principal avanço é a mobilização da sociedade para enfrentar e falar sobre a violência sexual, que antes era muito velada. Conseguimos mobilizar vários setores, tanto do governo quanto da sociedade. Hoje temos uma Polícia Rodoviária Federal envolvida nesse processo. Temos a Polícia Federal, o turismo, a educação. São vários setores nessa perspectiva.

Ao longo desses anos, a sociedade ficou menos tolerante em relação a esse tipo de crime?
Exatamente. Ficou menos tolerante. Antes, quando se passava pela esquina e se via meninas em situação de exploração sexual, a sociedade naturalizava aquilo, porque eram as “putinhas sem vergonha”. Hoje a sociedade está sensibilizada, denuncia mais. Isso é um avanço.

Para a senhora, essa mudança de postura pode ser verificada através da evolução do número de denúncias recebidas pelo Disque 100? Em 2003, foram 4.494 denúncias. Em 2008 e 2009, o volume de relatos foi bem superior, chegando a 32.589 e 29.756, respectivamente.
Isso mesmo. Isso mostra que a sociedade está mais mobilizada e menos tolerante à violência.

(Fonte)

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