Girafas não são perigosas?

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Relógio muito legal

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Estudo indica que alcoolismo começa cada vez mais cedo

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Pessoas que começam a beber cedo, na adolescência, estão se tornando alcoólatras também cada vez mais cedo, por volta dos 30 anos de idade. Três décadas atrás o vício acometia bebedores mais maduros, por volta da faixa dos 50 anos porque os jovens naquela época iniciavam o hábito de beber mais tarde do que as atuais gerações.

É o que demonstra pesquisa do Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), da Secretaria Estadual da Saúde realizada de janeiro a setembro deste ano. O levantamento mostra que a maioria ( 41%) das pessoas que começou a beber na adolescência se tornou alcoólatra a partir dos 34 anos. Foram ouvidos 285 dependentes crônicos moradores da região central da capital atendidos pelos profissionais do serviço.

Segundo o levantamento, 41% dos 285 pacientes diagnosticados como alcoólatras, e que portanto passaram a fazer tratamento na unidade, tinham entre 34 e 44 anos. A grande maioria deles (89%) era homem. A faixa etária dos 45 aos 55 anos respondeu por 23% dos pacientes. Outros 18,2% tinham entre 23 e 33 anos. As informações são do Jornal da Tarde.

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Ela emagreceu 102 quilos sem remédios ou cirurgia

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Se você faz parte do grupo de mulheres que vive em guerra com a balança só para reduzir alguns centímetros da cintura, já sabe que emagrecer não é nada fácil. Agora, imagine perder mais de 100Kg, sem qualquer ajuda dos recursos rápidos e tentadores da medicina. Parece uma missão impossível? Não foi para a antropóloga Sílvia Bonini Regiani, de Londrina (PR).

Acredite, Sílvia realizou a proeza de passar dos 167Kg para os atuais 65Kg, em quatro anos, basicamente com força de vontade e terapia. Hoje, aliás, com a auto-estima lá no alto, fez questão de registrar sua história de luta e sucesso no recém-lançado livro Mulhersegura.com – 102 quilos a menos sem redutores de apetite e sem cirurgias (Artgraf Gráfica e Editora).

Quem acha que a autora recheou as páginas com alguns truques novos e dietas malucas pode se decepcionar. “Algumas pessoas compram o livro achando que vão descobrir receitas para cozinhar e tomam um tapa na cara”, alerta Sílvia. O objetivo da antropóloga foi narrar a sua difícil relação com a comida desde a infância, seus problemas de saúde desencadeados pela obesidade e, finalmente, como conseguiu dar a volta por cima.

Sua relação com a comida
Aos 27 anos, no auge da sua obesidade, Sílvia (com 1,81m e 167 kg) recebeu um ultimato de seu médico: ou ela perdia peso ou poderia morrer. O aviso não foi dado simplesmente para assustá-la – e, quem sabe, motivá-la a fechar a boca. A antropóloga já sofria com diabetes tipo 2, hipertensão e hipotireoidismo, desencadeados pelos quilos em excesso, e o seu estado de saúde só poderia piorar.

Por conta dessas doenças, aliás, ela também foi obrigada a abrir mão de inibidores de apetite e da redução de estômago. Ou seja, sua única saída foi recorrer boa e velha recomendação: reeducação alimentar e a prática de exercícios físicos. Antes, porém, de começar a se mexer Sílvia precisou lidar com o peso das emoções.

“Foi muito dolorido, eu tinha uma relação emocional muito forte com a comida, e tiraram isso de mim, de uma só vez”, conta. A antropóloga se refere a todas as questões psicológicas que envolvem a obesidade (uma doença que está longe de ser um problema apenas estético e físico). Não foi toa que, durante o processo de emagrecimento, a autora precisou contar com a ajuda de um psiquiatra, além do endocrinologista e de um médico especialista em tireóide, diabetes e hipertensão.

Segundo Sílvia, essa ajuda foi essencial para que ela começasse a se aceitar, a recuperar sua auto-estima e a lutar contra o problema. Foi o psiquiatra que a ajudou a superar a ansiedade e os sintomas de depressão.

A antropóloga sempre foi aquela criança gordinha que a família tanto gosta. Os familiares adoravam agradá-la com guloseimas e a incentivaram bastante a ter gosto pela comida.”As pessoas herdam não somente os genes, mas o ambiente também”, concorda o endocrinologista Márcio Mancini, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso). “A criança internaliza os costumes de alimentação da família”, explica.

O problema é que, na escola, Sílvia e tantos outros gordinhos como ela precisaram lidar com as discriminações, os apelidos, a humilhação. Esse sentimento de não pertencer ao grupo costuma ser combatido, então, com a comida.

“O ato de comer ativa a área da recompensa e do prazer no cérebro que, quando estimulada, faz você se sentir feliz”, explica a neurologista Denise Menezes, professora do curso de Psicologia do Desenvolvimento da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “É a mesma área estimulada com o uso de drogas ou quando se está apaixonado. Ela proporciona uma sensação de bem-estar, felicidade, plenitude.”

Comer, portanto, era um vício para Sílvia. “Fiquei escrava da comida, s vezes, nem percebia que estava comendo”, desabafa. Silvia ingeria quatro mil calorias, diariamente, e reduzir esse nível para duas mil calorias foi um sacrifício. “No começo, eu me declarei morta, porque perdi a única relação que eu ainda tinha com o mundo, que era com a comida”, conta.

Processo lento e difícil
Desde pequena, a maneira que Sílvia encontrou de se proteger dos olhares preconceituosos e das provocações externas foi tornar-se uma menina agressiva, isolada. E esse jeito fez com que o processo de emagrecimento se tornasse ainda mais difícil.

Ela lembra que precisou, primeiro, admitir que precisava de ajuda e começar a enxergar quem era e por que estava agredindo a si própria (descontando suas frustrações na comida, inclusive) e as pessoas ao redor. “A maior dor da minha vida foi quando descobri que ninguém iria me salvar, que eu deveria tomar uma atitude. Chorei por três dias seguidos”, conta.

Buscar ajuda na terapia foi o primeiro passo para Sílvia começar a mudar suas atitudes frente mesa e vida. Segundo a neurologista Denise, quando o prazer de comer é uma tentativa de suprir alguma carência, a comida ingerida nunca será suficiente, porque sempre ficará a sensação de vazio. “Nesse caso, uma boa terapia ajuda a investigar qual é, afinal, a razão dessa compulsão alimentar”, garante a especialista. Decifrada a mensagem, o tratamento fica mais fácil, não há mais razão para associar a comida a essa necessidade.

O endocrinologista Mancini concorda, mas seu conselho é procurar ajuda o quanto antes. “Uma criança obesa tem mais chance de ter enfarte na idade adulta. A maior parte das crianças gordinhas vai ser um adulto gordinho”, avisa. Além disso, de acordo com o médico, histórias de sucesso, como essa de Sílvia — sem ajuda de qualquer recurso da medicina — são muito difíceis.

A volta por cima
No início do tratamento, a antropóloga não conseguia caminhar por um quarteirão sem ficar exausta. “Eu não conseguia me levantar para tomar banho de tantas dores no estômago e nas pernas. Também sofria com dores de cabeça horríveis. sem contar que me sentia pequena, humilhada”, confessa.

O esforço demorou a proporcionar resultados – foram quatro anos de luta. Mas valeu a pena. Hoje, Sílvia não consulta mais o psiquiatra. Aliás, ela é o tipo de mulher que exala segurança e auto-estima por onde passa. “Eu tenho prazer de dizer que fui obesa, porque, se a obesidade não tivesse entrado na minha vida, eu nunca teria descoberto a Silvia, e a Silvia é tão bacana…”, orgulha-se.

Sua rotina, atualmente, é acordar s 5h30 para uma caminhada de 8km e controlar a alimentação, sem grandes sacrifícios: ela garante que come de tudo, menos fritura, porque passa mal.

Também continua na companhia de dança flamenca que começou a freqüentar durante o tratamento. “Vou todos os dias. E só saio de lá quando me arrancarem as pernas”, brinca. “A pessoa precisa se adaptar s atividades físicas que lhe dão prazer. O importante é pensar que o que você vai ganhar com isso compensa a obrigação e rotina s quais você se impõe”, ensina.

Quanto ao seu estado de saúde, Sílvia diz que só continua tomando o remédio para o controle do hipotireoidismo, nada mais. “Eu estou curada, espero continuar assim até meus 100 anos”, comemora.

Lições de uma ex-obesa
Por entender que a luta contra a balança é mesmo bem difícil e admitir que muitas vezes pensou em desistir, Sílvia dá algumas dicas para quem quer vencer a obesidade.

- O primeiro passo é assumir o seu peso. Diga “eu tenho 180 quilos, não estou feliz e quero ser melhor”;

- Não ter medo de enfrentar o processo com a ajuda de um psiquiatra. Controlar a depressão e a ansiedade é fundamental;

- Não ter medo de abrir o jogo com amigos e família para exigir respeito deles. Não tenha medo de falar o que está se passando, que você está lutando contra isso;

- Mesmo que erre, mesmo que desista em algum momento, tente recuperar as forças. Levante a cabeça e siga em frente.

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Cai dentro, grandão!

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O evangelho em 6 minutos (John Piper)

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Assista com atenção. Poderá fazer uma diferença eterna na sua vida.

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Fala que eu te escuto…

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Alguns amigos, algumas pessoas próximas, alguéns que dizem nos escutar são assim.

E vejo as pessoas, por todo lado, tão carentes de, apenas, serem ouvidas. Com respeito, com ouvidos carinhosos, com ombro disposição…

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Mamãe, aprendi a tocar Parabéns a você!

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Fogueira das vaidades

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Encontrei o artigo abaixo no BlueBus. Meio mal escrito e confuso, como quase tudo no ônibus azul, seu cerne é muito interessante e bom pra fazer-nos pensar. Não revisei o texto; está sem acentuação tal qual o original.

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‘Um dia, pegou tudo que era seu e fez uma grande fogueira, já pensou?’

Olá! [Eu, Michel Serebrinsky] Sou leitor do Blue Bus ha muitos anos, e sempre o tive como uma das minhas fontes prediletas de informaçao! Rasgaçao de seda a parte, li uma matéria muito interessante (na verdade curiosa) e gostaria de compartilhar com vocês. Sobre um inglês que era viciado em marcas, um dia, pegou tudo que era seu e fez uma grande fogueira. Hoje ele se declara estar livre do ‘vício’.

Acho que vale a pena refletir sobre como nos relacionamos com as marcas e o valor que esse relacionamento tem e gera de ambos os lados. Tanto para o consumidor que se ‘posiciona’ perante a sociedade por meio da identificaçao pessoal com uma determinada marca. Como a própria que se utiliza das pessoas para se mostrar e com isso gerar mais valor e desejo de consumo. Existiria um equilibrio para essa relaçao? Até que pontos vao a responsabilidade pessoal e corporativa?

A Historia

Neil Boorman do Shoreditch Twat e Sleazenation juntou tudo de marca que era seu e colocou numa fogueira. Entao escreveu o livro ‘Bonfire of the Brands’ (Fogueira das marcas). Nos dias atuais ele continua relativamente livre delas. Se você ainda é um escravo das marcas, entao, na opiniao do Neil, você é essencialmente um outdoor ambulante e deveria ser pago pelo espaço de propaganda.

Veja o que ele responde – O que há de tao ruim com as marcas?

Nao há nada de errado com as marcas em si – é mais o modo como como as grandes companhias fazem propaganda delas e como milhoes de pessoas as consomem. Chega ao ponto de que exibir propagandas em seu peito (de graça) é algo fundamental para ser ‘legal’, ou o que quer que seja. Pergunte a qualquer criança no playground – Se você nao tem o tênis certo, o console de videogame ou celular, você está com grandes problemas. Nao acho que a gente deva comprar o modo para ser aceito na vida.

O que o levou a um comportamento tao drástico para queimar todas as coisas de marca que tinha?

Ele responde – Me dei conta de que estava completamente dependente das minhas marcas favoritas – Apple, Adidas, Blackberry – para me sentir feliz. Se você levasse todas essas coisas para longe de mim, eu me sentiria completamente nu e miserável. Era como uma droga, quanto mais dinheiro eu jogava na situaçao, mais preso eu ficava. E eu estava ficando com muitas dívidas. Drogados que ficam limpos fazem um gesto simbólico de destruir suas drogas. Alcoolátras jogam todas as suas bebidas fora. Entao decidi queimar todas as minhas marcas e começar de novo. Isso soa um pouco cliché, mas nao sou o único, eles estão desenvolvendo nos EUA um remédio para pessoas viciadas em comprar. É parecido com aquele remédio que dao para viciados em jogo.

Do que mais você sente falta na sua vida sem marcas?

Eu realmente sinto falta de ir s lojas nas tardes de sábado – é o passatempo mais popular na Inglaterra e eu realmente me sinto excluído quando caminho em minha rua e ela está cheia de pessoas gastando dinheiro. Mas a vida continua. E você encontra coisas melhores para fazer em seu tempo livre. Eu pensei que realmente sentiria falta do meu Blackberry antes de jogá-lo no fogo, mas você nao pode me forçar a usar um desse agora. É um alívio estar desconectado quando você quer.

Você ainda está livre das marcas?

Eu era tao escravo das delas que nenhum dos meus amigos achava que eu poderia ficar limpo por mais de um ano. Mas eu consegui me manter longe das lojas de marca. Eu me sentiria estúpido em caminhar com grandes logotipos em meus pés agora, como um outdoor que anda. Por que eu deveria pagar para fazer isso?

Mais pessoas deveriam exigir dinheiro das grandes marcas para os serviços de ‘homem propaganda’?

Eu tentei reivindicar algum dinheiro de volta, e riram de mim nas lojas, entao nao, eu nao aconselharia ninguem a isso. Mas você nao tem que comprar produtos de marca. A melhor coisa é ficar longe das cadeias de lojas e grandes marcas e começar a ser criativo. Minha mae sempre me dizia que ela fez suas próprias roupas e se sentia mais individual por isso. Ela costumava me deixar sem fôlego com aquele discurso quando eu era jovem, mas ela estava totalmente certa. Você não pode ser ‘único’ comprando produtos produzidos em massa, mesmo quando eles dizem que é ediçao limitada. Limitado para quantos? Para o tanto que as companhias podem vender.

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O ”não” de Eloá

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Artigo de Maria Isabel, professora de Psicologia. Publicado no Jornal do Brasil.

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por… Nada? Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes? O rapaz deu a resposta: ‘ela não quis falar comigo’. A garota disse não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não. Seu desejo era mais importante.

Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadam ente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único. Faltaram muitos outros nãos nessa história toda. Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal seqüestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. NÃO.

Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi punida com uma bala na cabeça. O mundo está carente de nãos. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não s crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer não aos maridos (e alguns maridos, temem dizer não s esposas). Pessoas têm medo de dizer não aos amigos. Noras que não conseguem dizer não s sogras. Chefes que não dizem não aos subordinados. Gente que não consegue dizer não aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros.

Talvez alguns não cheguem a seqüestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal. Os pais dizem, ‘não posso traumatizar meu filho’. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer: Não, você não pode bater no seu amiguinho. Não, você não vai assistir a uma novela feita para adultos. Não, você não vai fumar maconha enquanto for contra a lei. Não, você não vai passar a madrugada na rua. Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação. Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer 18 anos. Não, essas pessoas não são companhias pra você. Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. Não, aqui não é lugar para você ficar. Não, você não vai faltar na escola sem estar doente. Não, essa conversa não é pra você se meter. Não, com isto você não vai brincar. Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS crescem sem saber que o mundo não é só deles. E aí, no primeiro não que a vida dá (e a vida dá muitos) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante. Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranqüilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não. Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer – é também responsabilidade. E quem ouve uns nãos de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem. O não protege, ensina e prepara. Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora – e tento respeitar também os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.

(Recebido por email)

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Futuro »