Há esperança…

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Que venha o toque de recolher!

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Houve um tempo em que crianças e adolescentes tinham de obedecer a uma lei imposta pelos pais: o toque de recolher.

A hora variava de acordo com a idade: menores de 16 anos tinham de chegar em casa até as 21h. Os maiores, até as 22h. Mas a lei era só para os finais de semana, porque durante a semana não saíam de casa à noite. E todos eram felizes e sabiam.

Há alguns anos a coisa degringolou. Pais estão saindo para o trabalho e filhos chegando da rua, da “balada”. Alcoolizados ou às vezes drogados, ou “limpos”, mas sem vontade de ir para o colégio, pois suas energias foram consumidas na noitada. Então, quem falhou? De quem é a responsabilidade? Dos pais? Da sociedade? Do Estado?

Se os pais não cumprem a obrigação que têm em relação aos filhos menores de idade, de protegê-los e orientá-los, e se a sociedade também falha nessa proteção, cabe ao Estado (como reza o Estatuto da Criança e do Adolescente) fazê-lo. E assim está sendo feito por meio da lei do “Toque de Recolher ou Acolher”.

Quando li pela primeira vez sobre o “toque de recolher” da cidade de Fernandópolis me senti aliviada. Pensei: “Ao menos aquelas crianças e adolescentes estarão a salvo.” Não há exagero na expressão “a salvo”. De modo algum. Pais e mães querem seus filhos a salvo. Eu também quero essas crianças e adolescentes a salvo. Quero-as todas a salvo nesse Brasil.

O “toque de recolher” é uma medida emergencial e absolutamente necessária em algumas cidades. A partir daí, depois de crianças e adolescentes a salvo, pode-se retomar o pensamento dos discursos e políticas públicas para que os mantenham afastados dos sérios perigos que a noite encoberta. Aliás, se as políticas públicas fossem realmente eficazes, não haveria tantos adolescentes sendo assassinados, drogados e explorados sexualmente no Brasil.

Já compilei dezenas de matérias sobre crimes, nos sites Brasil Contra a Pedofilia, que aconteceram na calada da noite e que tragicamente ceifaram a vida de crianças e adolescentes. Tudo porque uns haviam saído para comprar algo na esquina ou a alguns quarteirões de casa. Outros estavam em festas durante a madrugada e em locais que apresentavam situações de risco, como drogas e bebidas alcoólicas; e outros, brincando na rua de sua residência após as 22h.

A menina de seis anos que foi à padaria da esquina às 21h, por exemplo, e não voltou mais, porque foi estuprada e morta, talvez, se morasse em Fernandópolis ou em outras cidades que tenham o “toque”, poderia estar viva hoje. Assim como o garoto de dez anos que estava na rua após as 23h e foi brutalmente assassinado e o corpo esquartejado por traficantes de entorpecentes. Ou ainda os dois adolescentes que participavam de um baile realizado num galpão de beira de estrada, de madrugada, e foram assassinados. Um, recebeu três tiros. O outro, apenas um, certeiro, no coração. Nesse caso tanto o assassino, que é maior de idade, como os adolescentes estavam alcoolizados. E há centenas de casos como esses. Todos os dias acontecem. Todo mundo sabe que isso acontece porque crianças e adolescentes estão no lugar errado, na hora errada e com pessoas erradas.

Infelizmente, em cidades grandes não há ainda nenhuma perspectiva sobre a implantação da lei do “Toque de Recolher ou Acolher”, mas, se houver, será bem-vinda. Muito bem-vinda e necessária, como forma de prevenção.

O site Brasil Contra a Pedofilia lamenta profundamente que a lei do “Toque de Recolher ou Acolher” esteja sendo interpretada de modo errôneo por algumas pessoas, mesmo sendo comprovado estatisticamente que houve redução significativa da criminalidade e violência em algumas cidades que a adotaram.

Deixo aqui meu total apoio a essa lei e aos que vierem a implantá-la para proteger as crianças e adolescentes.

Que venha o toque de recolher, de acolher, de proteger. Seja como for. Mas venha. E rápido!

Tandai Ayan
Brasil Contra a Pedofilia

Fonte

Foto de Ratão Diniz

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Isso é hora de criança estar na rua?

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Que pergunta mais antiga, não? Mais desatualizada, mais alienada, mais de séculos passados, mais sem cabimento, mais inútil. Afinal de contas, criança tem de ser feliz, tem de aproveitar a vida, tem de extravasar energias, tem de descobrir o mundo. E muito da felicidade, da vida e do mundo ela só encontra à noite, fora de casa, pelas ruas, sabe-se lá com quem, onde, ao som de que música, ao sabor de qual estimulante…

Mas, felizmente, como todos sabem, vivemos num mundo seguro, moral, respeitoso, em que as crianças são apenas crianças, em que todos (a começar pelos pais), respeitam-nas, tratam-nas com toda a consideração que merecem, empenham-se ao máximo para resguardá-las de perigo (mas… que perigo? Não moramos em um mundo perfeito?); em que todas as pessoas que se relacionam com crianças são de absoluta confiança, de profundos valores morais, de inatacável comportamento. O lindo mundo em que vivemos é povoado de pais que conseguem proteger seus filhos 24 horas por dia, sete dias por semana e que nunca, jamais, em hipótese alguma, terceirizam sua responsabilidade; antes a desempenham com o máximo de suas forças. E, como lindo resultado disso, não temos nenhum problema de crianças e adolescentes embriagados, fumando, viciados em drogas, mortos em festinhas de adultos, desaparecidos, com casos de gravidez, por vezes resultado de estupro. “Oh, what wonderful world…”!

Espero que você já tenha acordado para a mais dura realidade: nossas crianças e adolescentes correm risco o tempo todo. E correm, de modo especial, por causa da negligência (ou limitações) dos pais, que os deixam a sós, que não lhes conseguem impor limites, que são menos hábeis que eles com informática e internet, que não se preocupam muito com quem andam, que têm medo de sua cara feia, de sua rebelião, que têm medo de serem antiquados como seus próprios pais foram, que se convencem (ou foram convencidos) de que, se forem muito firmes com os filhos, estes se tornarão adultos frustrados, sem autoestima, sem personalidade. E tantas outras bobagens e desculpas e falácias e balelas que parecem ignorar um fato mais do que evidente: crianças e adolescentes correm cada vez mais riscos e os pais sabem cada vez menos o que fazer – ou nem mesmo se importam muito com isso.

Não sou especialista em leis nem sociólogo ou assistente social. Sou pai de três filhos que vivo há tempo suficiente nesse mundo nada wonderful pra saber que alguma coisa precisa ser feita. No mínimo para manter crianças e adolescentes a salvo, protegidos, enquanto alguém vai acordando os pais e a sociedade em geral. Vi coisas horrorosas demais na internet e no mundo do lado de cá do monitor para ficar tranquilo com discursos vazios, com elucubrações acadêmicas, com conversa mole sobre esses seres mais frágeis. Tenho usado meu blog, De Tudo um Pouco, para alertar os visitantes sobre o perigo real e próximo dos predadores de crianças. Tenho procurado alertar conhecidos, amigos e quem estiver ao alcance da boca no trombone sobre a necessidade de fazermos tudo e todos o que estiver ao nosso alcance para resguardar crianças e adolescentes.

Vivemos num mundo real… e mau. Felizmente, encontramos nele gente que se importa com o filho dos outros, gente que faz até mesmo em lugar de outros. É o caso do dr. Evandro Pelarin, Juiz de Direito da 1.ª Vara Criminal e da Infância e da Juventude de Fernandópolis, SP. Ele criou o “Toque de Recolher ou Acolher”. Ou seja, ele disse o que todo mundo sempre soube, mas tem tido preguiça de fazer valer: há hora pra criança estar na rua e há hora em que ela deve estar protegida, no lar, em um abrigo. E a medida produziu um efeito maravilhoso: mais de 80% de diminuição na criminalidade! Quem não aplaudiria isso? Quem não se alegraria com o fato de alguma coisa estar sendo feita em prol das crianças e dos adolescentes?

Como não estamos num mundo perfeito e lindo, há gente, sim, reclamando do que o Evandro fez. Não sei se esses que reclamam já fizeram algo tão efetivo e eficiente por aqueles a quem dizem representar, não sei se alguma medida que tomaram produziu tamanho redução de crimes (o que significa diminuir o número de crianças tanto vítimas quanto criminosas). Sei que o que o dr. Evandro fez, com o apoio da população, tem dado resultado, tem resgatado nossa esperança de ter um mundo, quem sabe um pouquinho só, mais wonderful. Pelo menos em Fernandópolis. Tomara que essa ideia seja espalhada pelo Brasil. No que precisar, conte conosco, Evandro, para divulgar sua iniciativa.

Deus o abençoe e lhe dê força para perseverar.

Francisco Nunes

Foto de Ratão Diniz

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Há um coração por trás de uma grande empresa

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Um desenho exclusivamente nos cinemas. Uma menina com câncer. Um desejo. Um telefonema. Uma surpresa. Um DVD. Uma empresa humana. A linda história você lê aqui em português e aqui em inglês.

Parabéns, Pixar!

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Quantos livros você leu nos últimos sete meses?

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Jéssica, essa garota da foto, leu 294. Não errei a digitação, não: 294 livros[bb] em sete meses. Ela mora em Virgem da Lapa, cidade de 14 mil habitantes, no coração do Vale do Jequitinhonha[bb]. Estava esquecendo: ela tem nove anos!

A matéria completa está aqui.

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Meu herói!

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Herói do dia! De verdade!

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Vestido de Homem-Aranha, bombeiro salva menino com autismo

Um bombeiro tailandês se transformou em super-herói depois de fantasiar-se como o personagem Homem-Aranha das histórias em quadrinho para resgatar ontem um menino que sofre de autismo e estava sentado no parapeito de uma janela, informa nesta terça-feira a agência AFP.

Os professores de uma escola para alunos com necessidades especiais da capital Bangcoc chamaram os bombeiros depois que um aluno de oito anos sentou-se no parapeito da janela do terceiro andar do edifício e recusou-se a sair de lá por estar com medo do primeiro dia de aulas.

A mãe do aluno também foi chamada e contou às autoridades que seu filho era apaixonado por revistas em quadrinho de super-heróis. O bombeiro Sonchai Yoosabai voltou à sua unidade e vestiu-se de Homem-Aranha para tentar atrair a atenção do menino.

“Eu disse a ele: ‘O Homem-Aranha está aqui para salvá-lo, nenhum monstro vai atacá-lo’. Então pedi que ele caminhasse lentamente até a minha direção, já que correr seria perigoso”, afirmou o bombeiro herói à televisão local.

O menino imediatamente levantou-se e caminhou até Somchai.

O bombeiro explicou que guarda fantasias do Homem-Aranha e do personagem japonês Ultraman para demonstrações e exercícios de combate a incêndios em escolas.

Fonte

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Gosto quando o Google se estrepa

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O Google sempre usou uma série de desculpas para não entregar os criminosos que abriga no Orkut, por exemplo. Ele prefere defender o direito à privacidade de um usuário pedófilo, por exemplo, a submeter-se às leis. Cansei de denunciar álbuns pedófilos do Orkut, que qualquer idiota reconheceria como tal, e nada acontecer. Por essas e por tantas, alegro-me quando o Google se estrepa. Espero que aprenda que ele não está acima da lei. E parabéns aos juízes que não engolem as desculpas e defesas esfarrapadas dessa empresa!

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Google deverá indenizar em R$ 20 mil homem ofendido em blog

O diretor de uma faculdade de Muriaé, na Zona da Mata mineira, conseguiu na Justiça o direito de ser indenizado em R$ 20 mil por danos morais pela Google. O motivo, segundo o processo, foi a publicação, na internet, de material ofensivo contra ele, em uma página de blog hospedada pelo servidor.

No processo, Roberto Santos Barbieri alegou que, em fevereiro de 2008, depois de ter demitido um coordenador do curso de Serviço Social da Faculdade de Minas, passou a ser vítima de hostilidades de um movimento estudantil. Dias depois, esses estudantes passaram a disponibilizar em um blog textos de conteúdo ofensivo.

Ele ajuizou ação de indenização por danos morais contra a Google Brasil Internet Ltda, que é proprietária do domínio “blogspot”, pedindo, em caráter liminar, a retirada de todas as páginas do blog.

Em julho de 2008, o juiz Marcelo Alexandre do Valle Thomaz, da 3ª Vara Cível de Muriaé, concedeu em parte o pedido liminar, determinando à Google que retirasse oito páginas do citado blog, em que havia ofensas diretas ao acadêmico, sob pena de multa de R$ 500.

A decisão em 1ª instância saiu em agosto do ano passado, quando o juiz condenou a Google a indenizar o acadêmico em R$ 20 mil, por danos morais. A empresa recorreu ao Tribunal de Justiça, alegando que não poderia ser responsabilizada pelo conteúdo criado por seus usuários.

No entanto, a desembargadora Cláudia Maia, relatora do recurso, entendeu que “à medida que a provedora de conteúdo disponibiliza na internet um serviço sem dispositivos de segurança e controle mínimos e, ainda, permite a publicação de material de conteúdo livre, sem sequer identificar o usuário, deve responsabilizar-se pelo risco oriundo do seu empreendimento”.

A relatora destacou e ratificou trecho da sentença do juiz de Muriaé, em que ele afirma que “o anonimato garantido pela Google lhe é muito conveniente, posto que ao saberem que qualquer pessoa pode fazer qualquer comentário na internet, seja através de ‘blogs’, seja através de ‘orkut’, mais e mais internautas acessaram as páginas e sites da ré, fazendo com que seus lucros aumentassem”.

“Assim”, continua o juiz, “se opta por não fornecer o nome e IP (número de identificação de cada computador) de quem criou a página, a Google deve arcar com a responsabilidade daí decorrente, não podendo se isentar de culpa”.

“A proibição ao anonimato é ampla, abrangendo todos os meios de comunicação, mesmo as mensagens na internet. Não pode haver, portanto, mensagens apócrifas, injuriosas, difamatórias ou caluniosas”, concluiu o magistrado. “A Constituição veda tal anonimato para evitar a manifestação de opiniões fúteis, infundadas, somente com o intuito de desrespeito à vida privada, à intimidade, à honra de outrem, o que ocorreu no caso em questão.”

Os desembargadores Luiz Carlos Gomes da Mata e Francisco Kupidlowski, da 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, acompanharam o voto da relatora. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que ainda cabe recurso da decisão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

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Conheça o sistema livre que ameaça o Windows

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Ashlee Vance

Eles são uma praga miserável ou as pessoas capazes de superar o Windows. Escolha. Em dezembro, centenas desses controversos desenvolvedores de software se reuniram por uma semana na sede do Google em Mountain View, Califórnia. Eles vieram do mundo todo, exibindo muitos dos sinais usuais dos soldados do software: jeans, cabelo preso em rabo de cavalo, barba desgrenhada e olhos vermelhos.

Hazel Thompson/The New York Times

Mark Shuttleworth, líder do Ubuntu, posa com sua equipe, em Londres

Mark Shuttleworth, líder do Ubuntu, posa com sua equipe, em Londres

Mas em vez de programar pela melhor oferta, os desenvolvedores coordenavam um esforço, sobretudo voluntário, para solapar o sistema operacional da Microsoft, Windows, que gerou cerca de US$ 17 bilhões em vendas no ano passado. O estardalhaço se centrava em algo chamado Ubuntu e um homem com o nome de Mark Shuttleworth, um carismático bilionário sul-africano de 35 anos, que trabalha como o líder financeiro e espiritual desse clã da codificação.

Criado há mais de quatro anos, o Ubuntu emerge como a versão mais celebrada e de maior expansão do sistema operacional Linux, que compete com o Windows primordialmente devido a seu preço extremamente baixo: zero.

Estima-se que mais de 10 milhões de pessoas rodem o Ubuntu atualmente, e elas representam uma ameaça à hegemonia da Microsoft nos países desenvolvidos e talvez uma maior ainda em regiões que correm atrás da revolução tecnológica. “Se tivermos sucesso, podemos mudar os fundamentos do mercado de sistema operacional,” disse Shuttleworth em um intervalo do encontro, o Ubuntu Developer Summit. “A Microsoft precisaria se adaptar, e acho que seria saudável.”

O Linux é gratuito, mas existe dinheiro envolvido nos serviços para o sistema operacional. Companhias como IBM, Hewlett-Packard e Dell instalam Linux em mais de 10% de suas máquinas vendidas como servidores, e empresas pagam esses fabricantes de hardware e outros, como as vendedoras de software Red Hat e Oracle, para obter assistência técnica e atualização de seus sistemas com base em Linux.

Mas a Canonical, companhia de Shuttleworth que desenvolve o Ubuntu, decidiu focar suas aspirações de médio prazo sobre os PCs usados por trabalhadores e usuários em suas residências.

O sonho de um competidor de peso com base em Linux para fazer frente ao Windows e, em menor escala ao Mac OS X, da Apple, é recorrente para os defensores do software de código aberto. Eles defendem a idéia de que um software que pode ser alterado gratuitamente pelas massas pode se provar melhor e mais barato do que o código protegido produzido por corporações enfadonhas.

Em sua tentativa, entretanto, os fanáticos por Linux fracassaram na missão de tornar o sistema hegemônico em computadores pessoais e portáteis. O software por vezes estranho permanece no reino dos geeks, não das avós. Com o Ubuntu, acreditam os devotos, as coisas talvez finalmente mudem.

“Acho que o Ubuntu capturou a imaginação das pessoas em torno do Linux no PC,” disse Chris DiBona, gerente para código aberto do Google. “Se há esperança para o Linux no PC, são eles.” Quase metade dos 20 mil funcionários do Google usa uma versão levemente modificada do Ubuntu, apelidada de Goobuntu.

Pessoas que se deparam com o Ubuntu pela primeira vez o acham bem similar ao Windows. O sistema operacional tem uma interface gráfica eficiente, menus familiares e todos os softwares comuns em computadores: navegador de internet, programas de e-mail e mensagem instantânea e um conjunto de utilitários para criar documentos, planilhas e apresentações.

Companhias de tecnologia estabelecidas já notaram o entusiasmo acerca do Ubuntu. A Dell começou a vender computadores com o software em 2007, e a IBM recentemente tornou o Ubuntu a base de um pacote de software que compete com o Windows.

A Canonical, que tem sede em Londres, possui mais de 200 funcionários em tempo integral, mas sua força de trabalho vai muito além, através de um exército de voluntários. A companhia pagou para que cerca de 60 voluntários fossem ao seu evento de desenvolvimento, considerando-os importantes contribuidores para o sistema operacional.

Outros mil trabalham no projeto Debian e disponibilizam seu software à Canonical, enquanto cinco mil disseminam informação sobre o Ubuntu pela internet. E 38 mil já se cadastraram para traduzir o software em diferentes línguas.

Quando uma nova versão do sistema operacional é disponibilizada, os devotos do Ubuntu se avolumam na internet, geralmente prejudicando os web sites que o distribuem. E centenas de outras organizações, a maioria universidades, também ajudam na distribuição. O instituto de pesquisa tecnologia IDC estima que 11% das empresas americanas possuem sistemas baseados no Ubuntu. Ou seja, muitos dos maiores consumidores do Ubuntu estão na Europa, onde o domínio da Microsoft enfrenta intensos escrutínios regulatórios e políticos.

O Departamento de Educação da Macedônia confia no Ubuntu, fornecendo 180 mil cópias do sistema operacional às crianças, enquanto o sistema escolar espanhol possui 195 mil computadores com Ubuntu. Na França, a Assembléia Nacional e a Gendarmerie Nationale, a polícia militar, contam com o Ubuntu num total de 80 mil PCs. “A palavra ‘gratuito’ foi muito importante,” disse Rudy Salles, vice-presidente da assembléia, observando que com ele a legislatura abandonou a Microsoft.

Sem dúvida, a rápida ascensão do Ubuntu teve a ajuda do fervor em volta do Linux. Mas é Shuttleworth e seu estilo de vida ostentoso que geram boa parte da atenção dada ao Ubuntu. Embora prefira se vestir casualmente como os desenvolvedores, algumas de suas atividades, inclusive uma viagem ao espaço, são tudo menos triviais.

“Veja, tenho uma vida privilegiada, certo?” disse Shuttleworth. “Sou bilionário, bacharel e ex-cosmonauta. A vida não poderia ser melhor. Ser um geek de Linux traz equilíbrio à força.”

A primeira parcela da fortuna de Shuttleworth veio após ele se formar em negócios na Universidade da Cidade do Cabo em 1995. Ele pagava suas contas operando uma pequena consultoria de tecnologia, configurando servidores Linux para companhias rodarem seus sites e outras operações básicas. Sua inclinação aos negócios e seu passado tecnológico o inspiraram a tentar aproveitar o interesse crescente pela internet. “Sou mais um acadêmico que um negociante afiado,” disse. “Estava muito interessado em como a internet estava mudando o comércio e determinado a ir atrás disso.”

Em 1995, Shuttleworth decidiu abrir uma companhia chamada Thawte Consulting, que oferecia certificados digitais, um mecanismo de segurança que navegadores usam para verificar a identidade das companhias. Aos 23 anos, ele visitou a Netscape para promover uma ampla padronização desses certificados. A Netscape, então líder em navegadores da web, comprou a idéia e a Microsoft, que faz o internet Explorer, imitou.

Com o crescimento da mania ponto.com, companhias se mostraram interessadas na lucrativa firma sediada na África do Sul. Em 1999, a VeriSign, que coordena uma série de serviços de infra-estrutura da internet, comprou a Thawte por US$ 575 milhões. (Shuttleworth havia recusado uma oferta de US$ 100 milhões meses antes.) Único proprietário da Thawte, Shuttleworth, filho de um cirurgião e de uma professora de jardim de infância, se tornou muito rico com apenas 26 anos.

Então o que faz um novo e criativo milionário? Shuttleworth olhou para as estrelas. Em 2002, pagando o estimado de US$ 20 milhões a oficiais russos, ele garantiu uma viagem de dez dias ao espaço e à Estação Espacial Internacional pela Soyuz TM-34, se tornando o primeiro “afronauta,” como a imprensa o chamou na época.

“Após vender a companhia, não fiquei em uma situação de iates e loiras,” disse. “Estava bem claro que me encontrava em uma situação única, em que devia escolher fazer coisas que caso contrário não seriam possíveis.” Nos anos seguintes, Shuttleworth investiu em capital de risco e organizações de caridade. Através de investimentos nos Estados Unidos, África e Europa, disse, ele acumulou uma fortuna de mais de US$ 1 bilhão.

No entanto, ele passa 90% de seu tempo trabalhando na Canonical, que considera outro projeto que desafia o que é possível. “Investi bem, mas nunca me senti preenchido,” disse. “Temo chegar ao fim da minha vida e sentir que não construí nada de verdade. E realizar o que é considerado impossível é atraente.” O modelo da Canonical dificilmente seria rentável.

Muitas companhias de código aberto distribuem versões gratuitas limitadas de seus softwares, enquanto vendem uma versão completa com serviços complementares para mantê-lo atualizado. A Canonical distribui tudo, incluindo seu produto principal, e então espera que as companhias contratem seus serviços, como a administração de grandes grupos de servidores e computadores ao invés de confiá-los a especialistas internos.

A Canonical também recebe de companhias como a Dell, que vende computadores com Ubuntu e com quem trabalha conjuntamente em projetos de engenharia de software, como inclusão em laptops de recursos baseados em Linux. Levando tudo em consideração, a receita anual da Canonical está em torno de US$ 30 milhões, disse Shuttleworth. Esse número não preocupa a Microsoft.

Mas Shuttleworth defende que US$ 30 milhões anuais é o suficiente, exatamente o que precisa para financiar atualizações regulares do Ubuntu. E um sistema operacional gratuito que se paga, disse, pode mudar o modo como as pessoas vêem e usam seu software cotidiano.

“Estamos criando a paz mundial ou mudando fundamentalmente o mundo? Não,” ele disse. “Mas podemos mudar o que e quanto de inovação por dólar as pessoas esperam.”

Tradução: Amy Traduções

The New York Times

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Ficou ainda mais fácil se libertar das janelas

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Que o linux é melhor que o rwindows quase todo mundo já sabe. Que o Ubuntu é a melhor distro linux… há controvérsias, mas é a humilde opinião deste humilde blogueiro ubuntista.

Muita gente gostaria de se livrar da escravidão da maucro$oft. E o melhor caminho pra isso é, sem dúvida, o Ubuntu. E para tornar sua jornada rumo ao paraíso ainda mais fácil, veja que legal isto: os caras do Linux no PC criaram uma versão do Ubuntu ainda mais amigável, pronta pra usar.

Veja o que eles dizem:

Para facilitar ainda mais o uso do Ubuntu Linux, criamos uma versão customizada do Ubuntu 8.10, isto é, uma versão personalizada com a intenção de atender aos usuários iniciantes. Esta versão vem com todos os repositórios de pacotes (programas, bibliotecas, documentação, …) já configurados, codecs multimídia instalados, vários programas extra instalados (aMSN, aMULE, Skype, extrator de CDs de áudio, …), vários plugins para o Firefox (suporte a flash, vídeos em vários formatos, java e adblock), Wine (permite a instalação e execução de programas aplicativos feitos para o Windows®), OpenOffice versão 3 com o corretor ortográfico VERO do BROffice (com suporte ao novo acordo  ortográfico, a partir de 1º de janeiro de 2009 mudanças na escrita irão se incorporar à norma culta da língua portuguesa), vários manuais e documentos de dicas gravados na pasta “Manuais”, um tema visual bastante agradável e muito mais. É só instalar e usar!

Ficou molezinha agora, né?

Não deixe pra amanhã a felicidade informática que você pode ter hoje!

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SC: encontrada Bíblia em meio a donativos enviados

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Escoteiros que trabalham como voluntários no hangar do aeroporto de Navegantes, litoral norte de Santa Catarina, encontraram um livro do Novo Testamento e uma Bíblia Sagrada entre os donativos enviados de todas as partes do Brasil às vítimas da enchente no Estado.

O Grupo de Escoteiros do Mar de Navegantes tem revezado seus monitores para auxiliar na triagem do material que em seguida é embarcado em helicópteros para distribuição em abrigos e áreas críticas.

“Chegamos a encontrar uma Bíblia enrolada em meio às roupas destinadas à doação”, diz Ingrid Frutuoso, que conseguiu uma vaga para o trabalho voluntário neste final de semana acompanhada de outros membros do grupo de escoteiros. “Chegamos às 8h e normalmente ficamos até escurecer.”

As escoteiras separaram também uma pequena edição do Novo Testamento, que seria entregue a um piloto de aeronave no momento da distribuição dos donativos. A monitora diz ter sido “comovente” encontrar materiais religiosos em meio aos donativos. “Está todo mundo muito assustado com o que aconteceu aqui”, diz. “E esse é um sinal para as pessoas atingidas não perderem a fé.”

Apesar da entrada de menores de idade ser proibida pelas Forças Armadas nos hangares de Navegantes, pequenos escoteiros ainda auxiliam na separação dos calçados a serem enviados aos desabrigados. “Todo mundo quer ajudar de alguma forma”, completa a escoteira Naiana de Souza Correa, que aproveita as folgas do trabalho para se dedicar ao trabalho voluntário.

De acordo com a Defesa Civil, cerca de 800 t de alimentos e 50 t de roupas já desembarcaram no Estado desde que as chuvas tiveram início.

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