Achei o joguinho de palavras do título bem pobre, reconheço. Mas não me ocorreu nada melhor. E a idéia é esta mesmo: sou/somos submetidos a um excesso de informações todos os dias e somos insuficientes pra ele. Ou, colocando de outro modo, bem pessoal: preciso mesmo disso tudo?
Minha página inicial do Firefox
são umas dez ou doze abas (nem sei ao certo), assino uns 35 ou 40 feeds via Bloglines (também não sei o número certo), sigo uns 40 caras no Twitter
(já saí [desloguei] de lá, então, também não sei o número certo), tenhos uns dez endéis (endereços eletrônicos, os tais emails; de memória não lembro quantos são), assino umas dez listas (idem), uso três contas ao mesmo tempo no Pidgin, tenho três blogs, três domínios próprios, além de estar inscrito em não sei quantos serviços, sítios e outras coisinhas oferecidas na grande teia, sem falar em vários outros projetos que ainda estou sendo tentado a colocar pra rodar. A pergunta que não quer ser deletada: preciso disso tudo? Já sei a resposta, mas insisto em manter todas essas fontes inesgotáveis de informação.
Tenho sido atormentado por essas dúvidas cruéis nos últimos dias. E hoje, pra minha grata surpresa e pra me ajudar a pensar no assunto, encontrei dois artigos mais ou menos ligados pelo tópico sobre o qual ora discorro. Vocês os conferem abaixo. Espero que ajudem a outros acometidos dos mesmos questionamentos.
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Atualização em 10.6
Para ser mais preciso: 15 abas como página inicial do Firefox, exatos 100 feeds no Bloglines, seguindo 59 caras e caros no Twitter, 12 endéis que uso.
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Socorro! É muita informação!
Por Luiz alberto Ferla
“Mergulhado num oceano diário de e-mails, blogs, websites, mensagens de textos, reportagens e relatórios. Assim é o dia-a-dia de um trabalhador da informação, um tipo de profissional que corresponde a 67% da força de trabalho nos Estados Unidos. Se você se enquadra neste perfil, já deve estar ansioso por tirar férias só para se ver livre de todo esse amontoado de dados e, enfim, botar a mão na massa e começar a trabalhar.
A realidade é dura, mas você não está sozinho. Atualmente bilhões de pessoas são diariamente bombardeadas com pelo menos 1.6 gigabyte de informação, segundo um estudo divulgado recentemente pelo professor Roger Bohn, da Universidade da Califórnia
. Segundo o The Wall Street Journal, o levantamento do acadêmico – chamado “How Much Information?” – conta com verdadeiras pérolas, como os números da rotina de trabalho dos funcionários da IBM
: cerca de 400 mil colaboradores da empresa enviam 12 milhões de mensagens instantâneas por dia, fato que resulta em uma perda anual de US$ 900 bilhões por causa desse acúmulo.
Ainda de acordo com o estudo – que deverá ser lançado este ano -, um profissional que trabalha diretamente com computadores gasta 25% de seu tempo procurando informação, voltando ao trabalho depois desta interrupção e lidando com outros efeitos deste fenômeno dos novos tempos. O problema está ficando sério e começa a afetar a produtividade de muitas empresas. A própria IBM criou diversas ferramentas de relacionamento interno, a fim de que os funcionários criem espaços onde conversem sobre projetos em andamento.
Outra solução encontrada pela empresa foi estabelecer alertas para palavras-chave ou para e-mails de determinadas pessoas, como o do seu chefe. Ela ainda atribuiu filtros para as mensagens, de forma que elas caiam em pastas específicas. E o mais importante: recomendou que seus funcionários utilizem o Não Perturbe quando não querem ou não podem ser interrompidos de realizar uma atividade. Tudo isso com o simples objetivo de não perder o foco no que realmente é importante: o trabalho que deve ser feito.
Como tudo da na vida, esta é mais uma questão que seria resolvida com bom senso. É impraticável e improdutivo ficar várias vezes ao dia verificando e respondendo e-mails ou lendo e enviando informações. Se a pessoa aprende a estabelecer prioridades, vai saber diferenciar o que é mais importante no seu dia. Não tem como, por exemplo, participar de uma reunião com outros colaboradores ou superiores e ficar com o laptop aberto visitando sites ou checando a caixa de e-mails. Além de ser improdutivo para a reunião é um desrespeito com os colegas. O mesmo vale para o celular
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Também não dá para ler tudo que aparece na caixa de e-mails. Quanto menos tempo se tem, mais criteriosa deve ser a seleção do que se lê. Pode-se começar lendo no trabalho o que se refere ao trabalho e em casa ou fora do horário de expediente o que não corresponde à sua empresa. Dê importância e resolva primeiro o que é mais relevante e urgente. Priorize o que depende de você para ter seguimento ao longo do dia e depois vá tratando das outras questões e das que forem surgindo. Também não permita que sua caixa de mensagens seja um amontoado de ações “por fazer”. Crie pastas para os e-mails que deva ler: prioritário, trabalho, responder, ler, pessoal, lazer, vídeos… É importante se organizar.
Outra atitude é disciplinar as pessoas. Se você recebe vários e-mails de piadas, informações irrelevantes ou correntes, não responda, nem encaminhe. O remetente vai perceber que você não tem tempo para isso ou “não é dessa turma”. Se, por acaso, algum amigo ou colega de trabalho for insistente com mensagens desse tipo, chame sua atenção de forma cordial. Assim você poupará seu tempo evitando até mesmo excluir tais mensagens. O mesmo vale para programas de comunicação instantânea: se você puder falar, deixe o status disponível e estabeleça o contato. Do contrário, fique ausente ou ocupado e não responda se for chamado, assim a outra pessoa entenderá que você realmente não pode falar naquele momento. Também não deixe avisos sonoros ligados para quando você receber e-mail, MSN, Skype
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São pequenas atitudes que podem tornar seu dia e seu trabalho mais produtivo e organizado, sem perder o foco. Assim, você chegará ao final da sua jornada diária sem aquela terrível sensação de que o dia “não rendeu”.
* Luiz Alberto Ferla, administrador e engenheiro pós-graduado em planejamento estratégico, é CEO das empresas Talk Interactive (www.talkinteractive.com.br) – especializada em comunicação digital e Knowtec (www.knowtec.com) – especializada em inteligência competitiva.”
Fonte
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Muita informação, pouca formação

Tenho lido muito sobre a necessidade de informação nos dias de hoje. Até em comunidades do orkut, em listas de discussão e no Twitter o que mais se procura é a informação, a sede por notícias frescas, a mania de querer estar sempre atualizado do que ocorre no mundo. Taí o Festival de Cannes
para exacerbar essa vontade. No mês de maio, só se falava nele, nos filmes que eram mais aplaudidos, nos que foram mal recebidos, em quem declarou isso, quem informou aquilo, etc.
Aí acabo lembrando sempre da frase de Lírio Ferreira no programa Sala de Cinema, do Sesc TV (deve entrar no ar em agosto): “muita informação, pouca formação”. Ele reclamava dos que chiaram por Cartola, o belo filme que fez com Hilton Lacerda, não ter muita informação, por ser um filme poema. Disse, com razão, que quem quisesse informação que fosse procurar na internet e não enchesse o saco, pois o filme era outra coisa. Perfeito. No mundo, não há mais espaço para a formação, e daí, amplio, ou melhor, especifico: para a reflexão, o pensamento. Tudo tem de ser comprovado, checado, evidenciado por um cruzamento de fontes. Tudo deve ser fato. O jornalismo de hoje virou reciclagem de press release. E corrida pelo furo mais sensacional.
Chega, então, a notícia da volta da SET. Dois amigos que leram a notícia aqui vieram comentar: “po, vamos ver se agora a revista tem mais informação”, mais ou menos com essas palavras, os dois queriam a mesma coisa que já podem encontrar em diversos outros lugares. Querem ler de novo as mesmas notícias, recauchutadas.
Não sei quanto tem de comprovado nisso, mas me parece que a tendência é pior no Brasil – cultura periférica, ainda? As revistas inglesas de cinema adquiriram faz tempo o costume de colocar um breve parágrafo com a sinopse de cada filme, para desobrigar o redator de ter que gastar linhas com isso e permitir que vá direto à reflexão. A informação só aparece quando necessária ao pensamento, e cada escriba tem um espaço razoável para demonstrar o seu.
Aqui, ao menos nos grandes veículos, continua o medo de camuflar a história. Gasta-se linhas inúteis com sinopses, informações de bastidores, curiosidades das filmagens. E o leitor, cada vez mais, fica sujeito a uma lobotomia induzida, a passar de uma informação para outra (e reproduzí-la no Twitter, claro). São os malditos tempos modernos, e temos todos que aprender a lidar com isso.
Nada contra, se não passássemos por uma escassez desanimadora de pensamento, de idéias. Essas também vêm recicladas. Qualquer adolescente pode chegar e traduzir coisas que leu no site mais obscuro, posando, assim, de blogueiro descolado. O adolescente que queira outra coisa tem mais é que camelar para encontrar algo diferente. Não há mais o combate, a oposição. Tudo parece interessante, digno de ser propagandeado. Discussão? O mais rápido possível.
A overdose informativa me lembra dos multiplexes, com diversas salas passando os mesmos poucos filmes. O que muda é o tamanho da tela, e o número de poltronas também. Estaríamos presenciando a vitória da mediocridade. Mas nada disso é novo. Sempre se reclamou dessa decadência do pensamento.
Talvez eu esteja desviando meu foco, tergiversando sem muito norte. Minha briga aqui é contra a sede de informações. Nem sei se vale a pena entrar nessa briga. Parece perdida. Mas que é necessário gritar um pouco me parece claro. E que seja sempre lembrado que crítica de verdade não tem nada a ver com jornalismo. Pelo menos com o jornalismo acomodado que se faz hoje em dia.
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