Que venha o toque de recolher!

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Houve um tempo em que crianças e adolescentes tinham de obedecer a uma lei imposta pelos pais: o toque de recolher.

A hora variava de acordo com a idade: menores de 16 anos tinham de chegar em casa até as 21h. Os maiores, até as 22h. Mas a lei era só para os finais de semana, porque durante a semana não saíam de casa à noite. E todos eram felizes e sabiam.

Há alguns anos a coisa degringolou. Pais estão saindo para o trabalho e filhos chegando da rua, da “balada”. Alcoolizados ou às vezes drogados, ou “limpos”, mas sem vontade de ir para o colégio, pois suas energias foram consumidas na noitada. Então, quem falhou? De quem é a responsabilidade? Dos pais? Da sociedade? Do Estado?

Se os pais não cumprem a obrigação que têm em relação aos filhos menores de idade, de protegê-los e orientá-los, e se a sociedade também falha nessa proteção, cabe ao Estado (como reza o Estatuto da Criança e do Adolescente) fazê-lo. E assim está sendo feito por meio da lei do “Toque de Recolher ou Acolher”.

Quando li pela primeira vez sobre o “toque de recolher” da cidade de Fernandópolis me senti aliviada. Pensei: “Ao menos aquelas crianças e adolescentes estarão a salvo.” Não há exagero na expressão “a salvo”. De modo algum. Pais e mães querem seus filhos a salvo. Eu também quero essas crianças e adolescentes a salvo. Quero-as todas a salvo nesse Brasil.

O “toque de recolher” é uma medida emergencial e absolutamente necessária em algumas cidades. A partir daí, depois de crianças e adolescentes a salvo, pode-se retomar o pensamento dos discursos e políticas públicas para que os mantenham afastados dos sérios perigos que a noite encoberta. Aliás, se as políticas públicas fossem realmente eficazes, não haveria tantos adolescentes sendo assassinados, drogados e explorados sexualmente no Brasil.

Já compilei dezenas de matérias sobre crimes, nos sites Brasil Contra a Pedofilia, que aconteceram na calada da noite e que tragicamente ceifaram a vida de crianças e adolescentes. Tudo porque uns haviam saído para comprar algo na esquina ou a alguns quarteirões de casa. Outros estavam em festas durante a madrugada e em locais que apresentavam situações de risco, como drogas e bebidas alcoólicas; e outros, brincando na rua de sua residência após as 22h.

A menina de seis anos que foi à padaria da esquina às 21h, por exemplo, e não voltou mais, porque foi estuprada e morta, talvez, se morasse em Fernandópolis ou em outras cidades que tenham o “toque”, poderia estar viva hoje. Assim como o garoto de dez anos que estava na rua após as 23h e foi brutalmente assassinado e o corpo esquartejado por traficantes de entorpecentes. Ou ainda os dois adolescentes que participavam de um baile realizado num galpão de beira de estrada, de madrugada, e foram assassinados. Um, recebeu três tiros. O outro, apenas um, certeiro, no coração. Nesse caso tanto o assassino, que é maior de idade, como os adolescentes estavam alcoolizados. E há centenas de casos como esses. Todos os dias acontecem. Todo mundo sabe que isso acontece porque crianças e adolescentes estão no lugar errado, na hora errada e com pessoas erradas.

Infelizmente, em cidades grandes não há ainda nenhuma perspectiva sobre a implantação da lei do “Toque de Recolher ou Acolher”, mas, se houver, será bem-vinda. Muito bem-vinda e necessária, como forma de prevenção.

O site Brasil Contra a Pedofilia lamenta profundamente que a lei do “Toque de Recolher ou Acolher” esteja sendo interpretada de modo errôneo por algumas pessoas, mesmo sendo comprovado estatisticamente que houve redução significativa da criminalidade e violência em algumas cidades que a adotaram.

Deixo aqui meu total apoio a essa lei e aos que vierem a implantá-la para proteger as crianças e adolescentes.

Que venha o toque de recolher, de acolher, de proteger. Seja como for. Mas venha. E rápido!

Tandai Ayan
Brasil Contra a Pedofilia

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Foto de Ratão Diniz

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Isso é hora de criança estar na rua?

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Que pergunta mais antiga, não? Mais desatualizada, mais alienada, mais de séculos passados, mais sem cabimento, mais inútil. Afinal de contas, criança tem de ser feliz, tem de aproveitar a vida, tem de extravasar energias, tem de descobrir o mundo. E muito da felicidade, da vida e do mundo ela só encontra à noite, fora de casa, pelas ruas, sabe-se lá com quem, onde, ao som de que música, ao sabor de qual estimulante…

Mas, felizmente, como todos sabem, vivemos num mundo seguro, moral, respeitoso, em que as crianças são apenas crianças, em que todos (a começar pelos pais), respeitam-nas, tratam-nas com toda a consideração que merecem, empenham-se ao máximo para resguardá-las de perigo (mas… que perigo? Não moramos em um mundo perfeito?); em que todas as pessoas que se relacionam com crianças são de absoluta confiança, de profundos valores morais, de inatacável comportamento. O lindo mundo em que vivemos é povoado de pais que conseguem proteger seus filhos 24 horas por dia, sete dias por semana e que nunca, jamais, em hipótese alguma, terceirizam sua responsabilidade; antes a desempenham com o máximo de suas forças. E, como lindo resultado disso, não temos nenhum problema de crianças e adolescentes embriagados, fumando, viciados em drogas, mortos em festinhas de adultos, desaparecidos, com casos de gravidez, por vezes resultado de estupro. “Oh, what wonderful world…”!

Espero que você já tenha acordado para a mais dura realidade: nossas crianças e adolescentes correm risco o tempo todo. E correm, de modo especial, por causa da negligência (ou limitações) dos pais, que os deixam a sós, que não lhes conseguem impor limites, que são menos hábeis que eles com informática e internet, que não se preocupam muito com quem andam, que têm medo de sua cara feia, de sua rebelião, que têm medo de serem antiquados como seus próprios pais foram, que se convencem (ou foram convencidos) de que, se forem muito firmes com os filhos, estes se tornarão adultos frustrados, sem autoestima, sem personalidade. E tantas outras bobagens e desculpas e falácias e balelas que parecem ignorar um fato mais do que evidente: crianças e adolescentes correm cada vez mais riscos e os pais sabem cada vez menos o que fazer – ou nem mesmo se importam muito com isso.

Não sou especialista em leis nem sociólogo ou assistente social. Sou pai de três filhos que vivo há tempo suficiente nesse mundo nada wonderful pra saber que alguma coisa precisa ser feita. No mínimo para manter crianças e adolescentes a salvo, protegidos, enquanto alguém vai acordando os pais e a sociedade em geral. Vi coisas horrorosas demais na internet e no mundo do lado de cá do monitor para ficar tranquilo com discursos vazios, com elucubrações acadêmicas, com conversa mole sobre esses seres mais frágeis. Tenho usado meu blog, De Tudo um Pouco, para alertar os visitantes sobre o perigo real e próximo dos predadores de crianças. Tenho procurado alertar conhecidos, amigos e quem estiver ao alcance da boca no trombone sobre a necessidade de fazermos tudo e todos o que estiver ao nosso alcance para resguardar crianças e adolescentes.

Vivemos num mundo real… e mau. Felizmente, encontramos nele gente que se importa com o filho dos outros, gente que faz até mesmo em lugar de outros. É o caso do dr. Evandro Pelarin, Juiz de Direito da 1.ª Vara Criminal e da Infância e da Juventude de Fernandópolis, SP. Ele criou o “Toque de Recolher ou Acolher”. Ou seja, ele disse o que todo mundo sempre soube, mas tem tido preguiça de fazer valer: há hora pra criança estar na rua e há hora em que ela deve estar protegida, no lar, em um abrigo. E a medida produziu um efeito maravilhoso: mais de 80% de diminuição na criminalidade! Quem não aplaudiria isso? Quem não se alegraria com o fato de alguma coisa estar sendo feita em prol das crianças e dos adolescentes?

Como não estamos num mundo perfeito e lindo, há gente, sim, reclamando do que o Evandro fez. Não sei se esses que reclamam já fizeram algo tão efetivo e eficiente por aqueles a quem dizem representar, não sei se alguma medida que tomaram produziu tamanho redução de crimes (o que significa diminuir o número de crianças tanto vítimas quanto criminosas). Sei que o que o dr. Evandro fez, com o apoio da população, tem dado resultado, tem resgatado nossa esperança de ter um mundo, quem sabe um pouquinho só, mais wonderful. Pelo menos em Fernandópolis. Tomara que essa ideia seja espalhada pelo Brasil. No que precisar, conte conosco, Evandro, para divulgar sua iniciativa.

Deus o abençoe e lhe dê força para perseverar.

Francisco Nunes

Foto de Ratão Diniz

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Vamos ajudar quem ajuda em Joinville?

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Encontrei essa nota hoje pela manhã, via Twitter. Vamos ajudar quem ajuda pessoas? Não conheço as pessoas nem a entidade mencionadas; estou confiando na credibilidade do sítio onde a nota está localizada.

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Ajudando o próximo em Joinville

Pessoal, hoje venho pedir uma ajuda a todos, a quem puder e achar que é coerente ajudar. Segue o texto do meu amigo Alexandre Setter.

“Longe de ser uma daquelas correntes de SPAM, esse meu post é um pedido de ajuda real e imediato. Conversando com uma amiga da minha mãe sobre alguns dos resultados legais que conseguimos junto ao network pessoal de cada um e da agência em ações na web, redes e comunidades, surgiu a ideia mútua de ajudarmos uma entidade da qual essa amiga faz um trabalho voluntário.

Quem me conhece sabe que sou prático, rápido e rasteiro. A situação é a seguinte: o Lar Abdon Batista aqui de Joinville cuida de dezenas de bebês abandonados ou tomados sob a proteção do conselho tutelar por causa de pais omissos, drogados ou violentos.

A necessidade de agora é bem pontual e específica; como são poucas as pessoas que estão cuidando dessas pessoinhas, fica difícil acomodá-las com o mínimo de conforto que um bebê necessita na hora de se alimentar ou mesmo quando está simplesmente acordado. Estamos falando de crianças que ainda não tem idade para ficarem sentadas em qualquer lugar.

Então, humildemente estamos solicitando aos nossos amigos do blog, das comunidades, do twitter, etc. que ajudem como puderem, seja repassando essa mensagem, ou fazendo aquela vaquinha para que possamos em breve angariar 8 daqueles bêbes-conforto, ou mesmo cadeirinhas de carro, o que segundo a Regina (a amiga da minha mãe que citei acima) seria já de grande valia, visto que eles podem daí ficar em segurança durante o dia.

Se alguém tiver um desses usado, ou conhecer quem tenha e não esteja usando, vamos lá! É um pouquinho de cada um pra fazer aquele montão pra essas criaturinhas que não tiveram escolha e estão dependendo já tão cedo da boa vontade alheia.

Agradeço desde já ao pessoal que topar dar uma força.

Setter”

Caso você queira colaborar entre em contato com o Alexandre ou com a Regina, toda ajuda será bem-vinda.

Setter e-mail: setter@commagica.com.br e celular 9619-1441
Regina telefone: 3422 7846

Fonte

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Há um coração por trás de uma grande empresa

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Um desenho exclusivamente nos cinemas. Uma menina com câncer. Um desejo. Um telefonema. Uma surpresa. Um DVD. Uma empresa humana. A linda história você lê aqui em português e aqui em inglês.

Parabéns, Pixar!

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Esta é uma história real

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Meus pêsames

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a todos os familiares das vítimas do acidente com o avião da AirFrance. Oro para que Deus os console.

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Sobre o choro da Maísa

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Não costumo assistir televisão, menos ainda Sílvio Santos. Nunca vi a Maísa em seu programa. O pouco que sei dela vi em um ou outro vídeo no YouTube, li em algumas chamadas em portais na internet e, mais recentemente, pelos dois episódios em que o Sílvio a fez chorar. Não pretendo fazer uma longa análise do assunto – deixo isso para os especialistas. Falo apenas como pai e leigo observador das coisas.

Sempre me perguntei: Maísa na TV não é trabalho infantil? Por que o dela é mais glamoroso que vender amendoim no semáforo ou que engraxar sapatos? Esse trabalho é aceito por dar mais dinheiro? Por que não usa uma criança ranhentinha, de pés descalços e roupa rasgada pra dobrar o coração duro das pessoas?

Um menino de rua que fosse zombador e desrespeitoso como a Maísa com certeza já teria levado uma surra ali mesmo, diante de todo mundo. Mas Maísa pode. É engraçado. É criança prodígio. É motivo de imitação. Dá ibope (leia-se dinheiro). É provável que os pais ainda ensinem as crianças a não agirem daquele modo, a respeitarem os mais velhos, a não zombarem de outras crianças. Mas Maísa pode. Ela é catártica. É uma espécie de alter-ego coletivo, a encarnação da cara-de-pau que todos gostariam de ter, da irreverência que todos gostariam de exercitar, do achincalhamento que gostariam de poder fazer sem reprimendas. E, quem sabe, até ganhando pra isso.

Maísa sempre foi criança. Mas não importava muito lembrar disso. Ninguém parecia se lembrar disso. Até que ela agiu como criança. Não a criança-monstro, como alguns a chamaram. Não a superdotada de respostas prontas. Não a menina que debocha de adultos, de crianças menos cultas. Mas uma criança normal, que tem medos. Até que ela chorou por causa de um menino com uma maquilagem vagabunda de monstro, zumbi ou coisa parecida.

“Ah, que ridículo! Chorar por causa disso?! Bem feito, tirava barato dos outros, agora se lascou!” Talvez estas tenham sido as primeiras reações. Disseram que o choro era farsa. Que era golpe pra aumentar audiência. Muita gente riu da cara da criança que – uau, que surpresa! – reagia como criança. Até que alguém se deu conta: “Peraí, gente, ela é só uma criança!”

Então, aconteceu outra vez. Ela chorou de novo, maltratada pelo patrão de quem debocha, que a inquiriu sobre o choro anterior. (Não assisti ao vídeo. Recuso-me. Tortura psicológica de criança, acho eu, deveria ser crime. Ou é?) Ela saiu correndo e ainda bateu com a cabeça numa câmera. Foi a gota dágua. Agora todos lembram que Maísa é uma criança. Agora o Ministério Público quer mexer no programa do Sílvio. Agora lembram-se do Estatudo da Criança e do Adolescente. Agora defendem a Maísa e param de rir dela. Agora Maísa é uma criança ranhenta, de pés descalços, no semáforo, tão indefesa e explorada como qualquer outra. Hipocrisia.

O que mudou na Maísa? Nada. Apenas teve oportunidade de revelar o que nunca deixou de ser: uma criança.

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Para os amigos

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De entre todos, apenas vós
tendes direito a ver-me
fracassar. Onde caio
entre a vossa irónica
doçura implacável, convosco
partilho o pão e o espaço
e a rapidez dos olhos
sobre o que fica (sempre)
para dar ou dizer.
E de vós me levanto
e vos levo pesando
e ardendo até onde
me ajudais a ser
melhor ou talvez
menos só.

(Vítor Matos e Sá, in Companhia Violenta)

Foto de benmeraz

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Não fume

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Quantos livros você leu nos últimos sete meses?

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Jéssica, essa garota da foto, leu 294. Não errei a digitação, não: 294 livros[bb] em sete meses. Ela mora em Virgem da Lapa, cidade de 14 mil habitantes, no coração do Vale do Jequitinhonha[bb]. Estava esquecendo: ela tem nove anos!

A matéria completa está aqui.

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Futuro »